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Archive for the ‘TRILHO DA ESPERANÇA’ Category

RCI – O que te levou à concretização desta iniciativa?

António Morais (AM) – Para mim continua a ser um imperativo ético absoluto chamar a atenção de toda a população portuguesa para a importância fundamental da educação e para os erros crassos que esta tutela ministerial está a cometer neste sector. Mas o mais grave é a manipulação permanente e constante conjugada com uma operação de marketing, sem precedentes, que se tornou na estratégia deliberada deste ministério para virar a sociedade contra os seus professores.

 

RCI – Como se concretiza esse ataque contra os professores?

AM – O clima de medo e intimidação intencionalmente promovido entre a classe docente e a perversão de princípios basilares da democracia são as bandeiras deste ministério. Isto é absolutamente inaceitável num governo democrático e, para além do mais, socialista!

 

RCI – Daí teres partido para esta proposta de acção que acabaste por concretizar…

AM – Não podia ficar calado, quieto ou alheado, tinha que agir e lembrei-me que seria uma metáfora muito ilustrativa unir física e geograficamente as escolas por onde pessoalmente tinha passado e leccionado com o esforço das pedaladas de uma bicicleta.

 

RCI – O que pretendeste com esta iniciativa que foi abraçada pela FENPROF  e por cada um dos seus Sindicatos?

AM – Este “Trilho” pretendia mostrar que a vida de um professor é a de um saltimbanco, de um nómada que enfrenta os mesmos problemas que qualquer outro trabalhador.

Ambicionava também, com esta minha viagem, criar e potenciar canais de ligação entre o maior número possível de docentes. Para além de lhes levar uma mensagem de sincera solidariedade queria partilhar com eles algumas reflexões sobre educação e democracia, que achava que eram e são de uma enorme pertinência nos tempos que correm.

Por último desejava que os docentes das escolas por onde passasse me entregassem documentos reflexivos sobre os seus problemas, angústias e preocupações, para anexar o palpitar e sentir dessas escolas às minhas memórias de viagem. Esses eram os objectivos inicialmente previstos que com maior ou menor eficácia foram cumpridos.

 

RCI – O facto de considerares que os objectivos a que te propunhas inicialmente foram atingidos, não pode ignorar o enorme esforço que puseste neste acto, não é verdade?

AM – Um facto é indesmentível: cheguei com a minha bicicleta a V. R. S. António pela educação!!!

Durante os 947 quilómetros que pedalei as minhas pernas mecanicamente iam realizando a sua função e o meu cérebro estava em constante agitação, ocupado com pensamentos relativos à razão da minha viagem: a educação.

 

RCI – A pensar em quê’

AM – Pensava: que razões terá a Ministra de Educação para infernizar, humilhar e desmotivar os professores? Será que assim melhora o ensino? Paradoxalmente, melhora o sucesso estatístico dos alunos portugueses. Isto é um extraordinário milagre deste executivo socialista, se não for simples maquilhagem da realidade!

 

RCI – E como vês a realidade?

AM – A panaceia do Plano Tecnológico em detrimento do Plano Humano criou um novo paradigma: a robotização do ensino. O objectivo é substituir os professores por robots. Estes executam, não questionam! O novo modelo de avaliação de desempenho procura o docente ideal: o professor-executor (professor-robot). O novo modelo de gestão criará o controlo hierarquizado e com professores-robots em todos os níveis de poder será muito fácil cumprirem-se fielmente na escola as directizes emanadas do topo, sem qualquer tipo de análise, crítica ou questionamento.

 

RCI – Já agora, que mensagem gostarias de passar aos professores?

Tenho esperança que os professores e os cidadãos livres deste país resistam ao novo modelo de sociedade que maquiavelicamente se tenta impor!

AM – Esta Ministra de Educação ficará para a história como a Ministra da Avaliação, da Estatística e, sobretudo, da Manipulação. Se ela vencer, perderemos todos. Esta é a minha profunda convicção! Por isso não me calo, por isso resistirei!!!  

 

RCI – Notas à margem…

AM – O meu muito obrigado à FENPROF e aos seus sindicatos que prontamente abraçaram e tornaram sua esta iniciativa. Uma última palavra de sincero agradecimento a todos os dirigentes e colegas que me deram todo o apoio, com carinho e simpatia inexcedíveis.

 

CAIXA

 

“No Trilho da Esperança” é um alerta dirigido a toda a sociedade, sobre a situação sócio-profissional dos docentes portugueses, vítimas de uma política de desrespeito sem paralelo.

Mário Nogueira, Conferência de Imprensa em Coimbra, 11 de Agosto

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Chamo-me António Morais. Sou professor. Aquele professor doido que percorreu 947 km de bicicleta unindo as escolas nas quais teve o privilégio de leccionar e trabalhar com o intuito de chamar a atenção para o que se está a passar na educação.

Há muito tempo que percebi que a educação não está na moda. Quem é que se importa com ela? Talvez o governo se importe um pouco, mas só na justa medida em que possa cortar e limitar os gastos com ela. Eu importo-me muito, e acho sinceramente que este ministério com a sua obsessiva avalanche de mudanças norteadas por princípios exclusivamente economicistas delapidou e destruiu o património da classe docente: a sua dignidade e o seu empenho; e assim deu uma estocada mortal na escola pública. Queria denunciar esta triste realidade e por desgraça descobri algo ainda mais horrível: a existência de indícios muito fortes de que a liberdade de expressão já não mora aqui! Ao longo desta legislatura foram surgindo sinais que pareciam fortuítos e pontuais do cerciar da liberdade de expressão. Agora configuram, para mim, uma clara estratégia sistemática e bem urdida para calar as vozes dissonantes. Foi uma anedota sobre o Primeiro Ministro, que custou o lugar na DREN e um processo disciplinar ao professor que a contou. Lembro que tal piada não foi escutada pela pessoa que sentenciou e pronunciou a pena. Presumo que a anedota deveria ser péssima para ser premiada com tal castigo!!! Foi uma simpática visita realizada por dois amáveis polícias ao sindicato  da Fenprof na Covilhã na véspera da visita do Primeiro Ministro àquela cidade, que apenas queriam tomar café. O café dos sindicatos tem outro sabor!!! Foi a preocupação das autoridades em encontrar estacionamento em Lisboa no dia 8 de Março (o dia da Marcha da Indignação) que fez com que fossem às escolas previamente inteirar-se dos professores que iriam para a capital protestar. É excelente termos um governo preocupado com o nosso bem-estar no trânsito lisboeta!!! Foi a proibição dos professores se deslocarem para outras escolas para participarem em reuniões sindicais. Nessas deslocações podem acontecer acidentes, deve ser essa a preocupação que fundamentou esta proibição. A tutela preocupa-se connosco!!! Foi a pretensão da tutela em diminuir a representatividade dos sindicatos e, certamente, continua a ser. Afinal numa altura em que tudo o que pedido pelos trabalhadores é imediatamente concedido pelas entidades patronais… para que são necessários os sindicatos?!!!

Agora os factos estranhos que aconteceram na última etapa da minha viagem “No Trilho da Esperança”, que uniu Alcoutim a Vila Real de Santo António…

Primeiro: duas cadeias de televisão enviaram duas jornalistas e dois operadores de imagem respectivamente que me acompanharam durante uma grande parte desta última jornada e que filmaram a conferência de imprensa improvisada na rua pela impossibilidade de ser realizada dentro da escola.

Segundo: a Escola Básica 2,3 D. José I de Vila Real de Santo António, à hora da minha chegada, que ocorreu por volta das 13.30, estava encerrada, mesmo estando lá dentro pessoal administrativo e auxiliares de acção educativa que se escondiam quando chamávamos para que nos abrissem a porta.

Terceiro: a Direcção Regional de Educação do Algarve não autorizou a que se fizesse a conferência de imprensa no interior da escola.

Quarto: os telejornais das respectivas televisões que se encontraram presentes não deram qualquer notícia referente ao que tinha acontecido durante e no fim desta jornada.

Explicações para estes factos: Primeiro, os jornalistas e os operadores de camara das respectivas televisões foram filmar-nos com a intenção de passar o tempo e não de veicular qualquer informação. É um bom passatempo!!! Segundo: a escola estava fechada porque era a hora de almoço, mesmo tendo sido avisados e tendo conhecimento que a hora prevista da minha chegada era as 13.00, e os funcionários iam-se escondendo, porque gostam de jogar às escondidas!!! Terceiro: a Direcção Regional de Educação do Algarve não gosta de professores ciclistas e jornalistas dentro da escola, sobretudo em tempo de férias, podem perturbar o normal funcionamento das aulas inexistentes!!! Quarto: a última jornada de uma viagem de protesto de bicicleta pela educação não tem nenhum interesse jornalístico, sobretudo quando a escola está fechada e quando a tutela não autorizou que se fizesse a conferência de imprensa lá dentro. É tudo muito comum e banal para ser notícia!!!

Num regime ditatorial sei que não sou livre para dizer o que quero, mas ao contrário, pensava eu, ingenuamente, num regime democrático tenho liberdade de expressão e  as minhas ideias podem ser veiculadas pelos meios de comunicação social. Estava enganado!!! O que é feito do significado da palavra “democracia” e da  “liberdade de expressão”? Parece que estou a viver numa “diz que é uma espécie de democracia”, com muito de “espécie” e pouco de “democracia”.

Bom, devem ser tudo coincidências estranhas e eu devo estar num estado de alucinação e ver o que em realidade não existe. A nossa democracia não está bem mas recomenda-se! Recomenda-se um tratamento eficaz para a profunda doença que padece!!!!

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Norte
    
27/07/2008 Melgaço;
28/07/2008 Visita às escolas EB 2/3 de Melgaço e EB 2, 3 de Pias (Monção).
Jantar em Valença.
29/07/2008
(terça-feira)
Visita à EB 2, 3 / S de Valença e partida dessa escola;
Jantar em Viana do Castelo.
30/07/2008
(quarta-feira)
9h30: visita à EB 2, 3 Dr. Pedro Barbosa (Viana do Castelo) e partida dessa escola;
Jantar em Póvoa de Varzim.
31/07/2008
(quinta-feira)
9h30: visita à Escola Secundária Rocha Peixoto (Póvoa de Varzim) e partida dessa escola;
Jantar no Porto.
01/08/2008
(sexta-feira)
9h30: visita à Escola Secundária Fontes Pereira de Melo (Porto) e partida dessa escola;
Chegada a S. João da Madeira.
Jantar em Aveiro.
   
FIM-DE-SEMANA
   
04/08/2008
(segunda-feira)
9h30: visita à Escola Secundária Serafim Leite (S. João da Madeira) e partida dessa escola;
Jantar em Arouca.
05/08/2008
(terça-feira)
9h30: visita à Escola Secundária de Arouca e partida dessa escola.
   
Centro
   
05/08/2008 Chegada a Estarreja.
06/08/2008
(quarta-feira)
9h30: visita à Escola EB 2, 3 de Estarreja e partida dessa escola.
07/08/2008
(quinta-feira)
Visita às Escolas EBI de Eixo (9h30), EB 2,3 João Afonso de Aveiro (11h30) e EB 2, 3 de Aradas (14h00) e partida dessa escola;
Jantar em Vilarinho do Bairro. Aveiro.
08/08/2008
(sexta-feira)
Visita à EB 2, 3 de Vilarinho do Bairro e partida dessa escola;
Jantar em Coimbra.
   
FIM-DE-SEMANA
   
11/08/2008
(segunda-feira)
Visita à EB 2, 3 Silva Gaio (Coimbra);
Conferência de Imprensa às 10.30h e partida dessa escola;
Jantar em Leiria.
12/08/2008
(terça-feira)
Visita à Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo (Leiria) e partida dessa escola.
   
Grande Lisboa
   
12/08/2008 Chegada a Santarém.
Jantar em Santarém.
13/08/2008
(quarta-feira)
Visita à EB 2, 3 Alexandre Herculano (Santarém) e partida dessa escola;
Jantar em Coruche.
14/08/2008
(quinta-feira)
Visita à Escola Secundária de Coruche e partida dessa escola.
Jantar em Montemor-o-Novo.
   
Sul
   
   
   
FIM-DE-SEMANA
   
18/08/2008
(segunda-feira)
Visita à EB 2, 3 de Montemor-o-Novo e partida dessa escola;
Jantar em Viana do Alentejo.
   
19/08/2008
(terça-feira)
Visita à EB 2, 3 / S de Viana do Alentejo e partida dessa escola;
Jantar em Beja.
20/08/2008
(quarta-feira)
Visita à EBI de Sta Maria (Beja) e partida dessa escola;
Jantar em Mértola.
21/08/2008
(quinta-feira)
Visita à EB 2, 3 / S de Mértola e partida dessa escola;
Jantar em Alcoutim.
22/08/2008
(sexta-feira)
Visita à EBI de Alcoutim e partida dessa escola;
CHEGADA A VILA REAL DE STO ANTÓNIO (FIM DA ACÇÃO)
Conferência de Imprensa 
Jantar em Vila Real de Santo António.

 Veja aqui as fotos do trilho

 

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Nos tempos actuais, o exercício profissional dos docentes caracteriza-se por uma enorme instabilidade, tanto de emprego, como profissional, a qual tem vindo a agravar-se, contrariando todas as recomendações, nacionais e internacionais, sobre a profissão docente.

É a pressão exercida sobre os jovens docentes nos primeiros anos da sua vida profissional, o desemprego, sem solução à vista, provocado, em boa parte, pela política do Governo, e que tenderá a agravar-se na sequência da imposição de uma inaceitável prova de ingresso na profissão, criada com o intuito de mascarar as estatísticas de emprego/desemprego no nosso país…

– é a estratificação profissional da carreira e dos quadros de pessoal docente, com a criação de duas categorias (de Professor e de Professor Titular, com esta última reservada a uma minoria dos professores do sistema)…

– é a evidente falta de condições de exercício da profissão, com particular expressão ao nível das colocações para acesso e mobilidade nos quadros, do regime de contratação, dos horários de trabalho, entre outros aspectos…

Estas são realidades que confirmam que a profissão docente não é e nunca foi, ao contrário do que por vezes se ouve, um mar de rosas e de privilégios.

“No Trilho da Esperança” é uma iniciativa da FENPROF e dos seus Sindicatos, concebida e protagonizada por um dos seus dirigentes. António Morais é professor em Aveiro, na Escola Básica Integrada de Eixo e vai unir Melgaço a Vila Real de Santo António, de bicicleta, entre 28 de Julho e 22 de Agosto.

 

Na sua já longa carreira passou por várias escolas de Norte a Sul do continente nacional e pela Região Autónoma da Madeira e, ao concretizar esta acção, propõe-se chamar a atenção para:

– o isolamento em que os docentes exercem a sua profissão, por norma, sem serem devidamente considerados pelos Governos, situação que se tem repetido ao longo do mandato do actual governo e da equipa do Ministério da Educação;

– o enorme esforço que implica/implicou para todos os docentes, sujeitarem-se às condições adversas com que se confronta o seu exercício profissional, de trabalho nas escolas ou, até, de integração social das diversas comunidades que têm de abraçar ao longo das suas vidas;

– as distâncias, o afastamento da família e amigos e as sucessivas adaptações de condições de vida a que se sujeitam em toda a carreira profissional;

– o custo de vida acrescido, as despesas com transportes, com segundas habitações a que não podem fugir por força das colocações a que ficam sujeitos, sem que, no entanto, haja da parte do poder político qualquer tentativa para compreender a importância de haver diversos apoios, remuneratórios mas não só, que minimizassem os problemas que decorrem desta realidade.

Com “No Trilho da Esperança” pretende-se, ainda, alertar a opinião pública para a necessidade de a sociedade apoiar os seus professores. Estes dedicam a sua vida, durante cada ano lectivo, a garantir com grande empenhamento e dedicação uma Escola Pública de qualidade, inclusiva e democrática – espaço de formação cívica e de preparação para a vida activa, para a intervenção social e para o ser-se Pessoa.
Têm sido os professores que, em muitos momentos, contrariaram, com esforço e sacrifício pessoal, as mais adversas situações em que governos sucessivos têm colocado os docentes, chegando ao ponto de, muitas vezes, mentindo, virarem a população contra eles, colocando em causa a sua dedicação e profissionalismo.

O Secretariado Nacional da FENPROF

Veja aqui as fotos do trilho

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