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Archive for the ‘SAPATOS’ Category

Enviei no passado dia 28 de Janeiro, através dos CTT, um par de sapatos cujo receptor era o nosso Primeiro Ministro, e outro par destinado à nossa mui excelsa e iluminada Ministra da Educação. A acompanhar este calçado seguiam em paralelo duas cartas onde tecia considerações e argumentos que exprimiam o meu mais absoluto desacordo com as políticas gerais deste governo e as políticas sectoriais deste Ministério da Educação. O envio dos meus sapatos usados era em si mesmo um acto de protesto, que se tornava mais explícito através do conteúdo das cartas.

Pensei que tais sapatos iriam permanecer com os seus novos donos, tendo como destino mais provável um qualquer recipiente de lixo.

Apesar da crise financeira e económica mundial nunca pensei que os destinatários dos meus sapatos se socorreriam deles para dar-lhes o uso corrente que é suposto dar a uns sapatos que ainda têm meias solas para gastar.

As minhas convicções não se confirmaram visto que o Primeiro Ministro não me devolveu os meus sapatos. Pairará para sempre a dúvida se em alguma ocasião especial ou informal o Eng. José Sócrates fará uso daqueles que já foram os meus sapatos.

A Ministra da Educação procedeu de maneira diversa, devolvendo os meus sapatos. Nunca saberemos ao certo, a menos que a própria explicite, se o motivo da devolução do dito calçado se terá devido: ao seu descontentamento face à forma de protesto ou, quiçá, o formato dos sapatos não lhe tenha agradado ou, por ventura, os terá repudiado porque os mesmos não correspondiam e não se coadunavam com o seu género (masculino/feminino). Esse mistério um dia será desvendado quando se publiquem as memórias dos protagonistas destinatários do envio dos sapatos.

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Sapato - 1º Ministro I.jpg copy

 

Sapato - 1º ministro II.jpg copy

Aveiro, 28 de Janeiro de 2009

Excelentíssimo Sr. Primeiro Ministro José Sócrates: 

Venho por este meio enviar-lhe os meus sapatos, que são importantes, porque palmilharam parte deste país, conhecem muitos dos meus dias, tecidos de ilusões e cansaços e, sobretudo, desespero e frustração pela degradação democrática deste país, da qual o Sr. é o maior responsável.

Os sapatos transformaram-se, devido à acção daquele jornalista iraquiano, em símbolo de protesto contra autoritarismos desmedidos, gestão danosa dos países, manipulação e mentira como estratégia governativa das nações. É nessa qualidade que lhe envio os meus sapatos. Representam o meu mais veemente protesto pela forma como tem governado este país que formalmente é democrático. No entanto, e graças a si, a palavra democracia está a afastar-se exponencialmente do seu significado original, cuja acepção etimológica era o “poder do povo” e que Abraham Lincoln definia como: “O governo do povo pelo povo e para o povo”. Que longe nos encontramos deste conceito, no presente!!!

Sou um ser pacífico e por essa razão não lhe arremessaria com os meus sapatos, pode estar descansado, apenas lhos envio como um gesto simbólico que remete para uma sintonia com a raiva sentida pelo autor original da acção. Com a certeza que lutarei contra este estado de coisas até ao limite das minhas forças.

Juntamente com os meus sapatos vão também os meus desejos para si: grandes doses de prudência, tolerância, verdade, responsabilidade e espírito democrático (aquilo que normalmente o Sr. recomenda aos líderes dos partidos da oposição). Com isto, com certeza este país será melhor e mais próspero neste ano de 2009.

 

Uma última recomendação: visto que o futuro do país e os seus superiores interesses constroem-se no presente e maioritariamente através da educação, pacifique a escola! Peça desculpa aos professores pela forma como os tem tratado e reformule com seriedade as políticas educativas do seu governo para que tenhamos um bom futuro colectivo.     

Para bem de todos, espero que mude! Confio que os meus sapatos lhe lembrem a necessidade imperiosa dessa mudança.

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Sapato - Ministra I.jpg copy

 

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Aveiro, 28 de Janeiro de 2009

 

 

Excelentíssima Sra Ministra da Educação:

 

Venho por este meio enviar-lhe a parte do meu vestuário que protege os meus pés das irregularidades do solo que diariamente percorro na minha quotidiana peregrinação.

Não preciso de lhe explicar a razão que me leva a mandar-lhe os meus sapatos, porque é a mesma que me fez andar 204 dias com uma T-Shirt que dizia “Estou de luto pela educação”, a mesma que me obrigou a percorrer o país de Norte a Sul de bicicleta no verão que passou, a mesma que me fez colocar anúncios nos jornais com mensagens de alerta sobre o que estava a acontecer com a educação e com a escola pública, a mesma que me obrigará a continuar a denunciar e a lutar contra as nefastas políticas educativas da sua autoria ou da sua tutela. A multiplicidade de razões que me faz agir pode resumir-se apenas numa: a má educação e o desrespeito absoluto da Sra Ministra, do seu Ministério, do seu governo, pelos professores, pela educação e pelo futuro deste país. 

A imposição cega das medidas e directrizes emanadas da sua visão iluminada e totalitária sobre a educação trouxeram-nos à situação catastrófica em que nos encontramos agora.

A manipulação e a distorção permanente da realidade com o objectivo estratégico de colocar a população contra os professores conjugada com uma avalanche legislativa que muda ao sabor dos interesses da tutela, tornando-se assim numa verdadeira “ditadura legislativa”, têm sido as políticas deste governo para a Educação. Para lhe dar um exemplo do que acabo de afirmar, posso nomear o famoso Decreto Regulamentar sobre a Avaliação do Desempenho dos Docentes que já sofreu quatro alterações em menos de um ano. Isto não é o que se possa chamar estabilidade legislativa.

Todas as suas directizes educativas têm como base princípios exclusivamente economicistas, o que é claramente um erro, visto que a escola deveria reger-se por princípios pedagógicos e não por outros.

É lapidar a sua frase de pedido de desculpas no parlamento: “Peço desculpas aos professores pela desmotivação que lhes causei, mas era necessária para bem do país”. Quer isto dizer, segundo a sua lógica, Sra. Ministra, que quanto mais desmotivados estiverem os professores melhores serão os resultados dos alunos e melhor será o futuro deste pais. Fabulosa lógica! Seguindo a sua linha de raciocínio, se os professores se encontrarem doentes ou até mortos, então sim, os alunos terão um sucesso absoluto. É fantástico, se não fosse extremamente horrível este argumento! Pergunto-me que tipo de pessoas são estas, tão brutalmente insensíveis que esmagam toda uma classe profissional e que não se preocupam minimamente com a saúde dos seus tutelados e mais, dizem que isso é bom para o progresso do país. Como se a motivação dos professores não fosse um factor de sucesso para os seus alunos!  

Sra Ministra, pense seriamente nas suas políticas e corrija o caminho perverso e aniquilador da educação que encetou enquanto é tempo.

Eu continuarei a lembrar-lhe em permanência: a confrontação como estratégia para levar a bom porto más políticas é um erro absoluto!!!

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