No mês de Maio de 2007 sentia-me muito revoltado pela manipulação e intoxicação da opinião pública que era produzida em permanência pelo Ministério da Educação contra os professores.
A gota de água surgir com o caso Charrua. Relembro que este professor contou uma piada sobre o Engenheiro José Sócrates e por tal motivo a Directora da Região de Educação do Norte exonerou-o das suas funções. Este acontecimento aos meus olhos era grave, e ainda se tornou mais grave em meu entender, quando esta Directora nem sequer ouviu a tal alegada piada. Alguém lhe tinha contado.
Era um caso claro de censura. Que aconteceu para que se repusesse o equilíbrio e a justiça? Nada ou algo pior a Directora que exonerou e censurou continuou no seu cargo (foi premiada simbólicamente pelo seu acto de censura) e o professor permaneceu exonerado.
Pensei naquele momento e continuo a pensar que a nossa democracia estava e está gravemente doente. Foi então que recebi um mail contendo um poema de Bertolt Brecht intitulado “A indiferença” que me inspirou e que passo a transcrever:
“Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.”
Este poema e a minha indignação foram os detonadores da minha decisão de lutar contra um poder que actuava de forma prepotente, arrogante e censória.
Tinha iniciado o caminho da luta pacífica com uma persistência e continuidade que só uma causa justa é capaz de despoletar em nós.
A minha primeira manifestação pública de repúdio absoluto pelo que estava a acontecer foi escrever em duas folhas de cartolina: “CONFESSO: Eu também contei uma piada sobre o Primeiro – Ministro” , colar uma ao peito e outra nas costas e percorrer as ruas da minha cidade – Aveiro -, durante um soleado Sábado de Maio.
No dia seguinte (Domingo, 27/05/2007) o Diário de Aveiro noticiava na sua edição o resultado da minha revolta com fotografia incluída.