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Archive for the ‘CAMINHADA PELA LIBERDADE’ Category

A meu percurso de protesto até Lisboa finalizou há um mês atrás. Este meu protesto, reconheço, não foi eficaz. Não foi mediático. Não teve qualquer impacto público. Não teve influência! E apesar de tudo… valeu muito a pena!!! Estas serão as minhas últimas reflexões, os meus derradeiros apontamentos sobre a última caminhada.   

Esta viagem, como já referi, trouxe-me conhecimentos e experiências singulares que de outra forma não teria adquirido. Algumas delas são do foro afectivo difíceis de traduzir em palavras. Como se transmite o que vais sentindo ao ver  tantas paisagens diferenciadas: terra, árvores, cultivos, casas, estações do caminho de ferro, povoações… tudo pintado com tantos matices de cores e tantas nuances de texturas?

Que privilégio inesperado sentir os ritmos próprios do viver e do sentir de cada povoado, de cada aldeia. E tudo isto me foi dado porque decidi ser activo e não ficar parado.

O sol e a sua luminosidade por vezes agressiva acompanharam-me em todas as etapas, excepto uma, a penúltima. Tentei proteger-me dos seus efeitos nocivos com a utilização frequente de protector solar nas partes corporais descobertas: cara, braços e pernas.  Com temperaturas à volta dos 37º C fui percorrendo a longa marcha para Lisboa em prol de um ideal, de uma convicção. Esta caminhada foi a viagem de um  ser idealista, romantico, sonhador que pretendia mudar a atitude das pessoas, que pretendia alterar o rumo da nossa convivencia colectiva, para melhor. É evidente que tudo isto esbarrou contra o muro quase impenetrável da realidade.

Quando desesperava pensava no herói grego Heitor que lutou contra Aquiles, que era um semi-deus. Heitor  mesmo sabendo que ia morrer, não fugiu, não desistiu e foi para o campo de batalha. Morreu, mas o seu exemplo perdura e inspira-me.

Prefiro lutar pelas minhas convicções e deixar esse testemunho de desassossego perante o que está a ocorrer, que não fazer nada porque, segundo a convicção generalizada, nada poderá mudar.

Tudo mudaria se todos estivessemos dispostos a fazer o necessário para alterar o rumo das coisas.

Em cada inicio de etapa lembrava-me de Zenão de Eleia, o filósofo grego, que formulou a aporia de “Aquiles e a tartaruga”. Nela o veloz Aquiles nunca alcança a tartaruga porque matematicamente toda distancia por pequena que seja é divisível infinitamente.

Ao começar cada jornada perguntava-me sempre: como vou vencer uma distancia tão grande apenas com os meus passos? Pouco a pouco ia ganhando metros, decámetros, hectómetros e, finalmente, quilómetros e então os edificios, as pontes, os povoados iam ficando para trás cada vez mais distantes e pequenos até que desapareciam. Quando chegava ao final da etapa parecia-me sempre um milagre.

Por mim passavam os carros e os comboios a uma velocidade enorme comparada com a minha. Comprovava então que a roda terá sido o maior invento do homem. Aquele que revolucionou e deu velocidade à nossa existência.

Com alguma esperança no porvir vou continuar a “caminhar”…

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Sou um pessimista por natureza. A realidade confirma cada dia esse meu pessimismo. Ao contrário da pessoa do nosso presidente que no passado declarou que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas, eu muitas vezes me engano e as dúvidas habitam-me em permanência.

Acredito cegamente nas minhas convicções e nos meus valores. Desejo ardentemente um mundo, um país e uma sociedade melhor para todos. Luto para que isso aconteça realmente.

Quero ser feliz e tentar fazer felizes os que me rodeiam e também os que não me rodeiam (aqueles que não conheço). Pelos vistos tenho pouco jeito para ser feliz… e engano-me na forma de tentar conseguir alcançar a felicidade para os outros.  

Não bastam os meus bons desejos. Às vezes sinto uma enorme impotência e um extremo desalento. Enfim… erros meus, pecados meus!

Caí e voltei a cair! Amanhã tentarei levantar-me e lutar novamente por tudo aquilo em que acredito!

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Auto-retrato

Auto-retrato

 

 

Durante a minha viagem pude constatar algo que passo a chamar de “mendicidade profissional”. Assim aconteceu. Ao chegar a Albergaria-dos-Doze dirigi-me a um pequeno café para retemperar forças e beber uma garrafa de água, visto que entretanto tinha esgotado as reservas do precioso líquido. O dono do café contava afanosamente uma enorme quantidade de moedas. Fazia pequenos conjuntos e montes de moedas para depois contá-las melhor. Deste lado do balcão estava um homem de meia idade vestido com um fato de treino. A sua pronúncia denotava que era estrangeiro, talvez fosse um cidadão romeno. O dono do café depois de contar e recontar as moedas dirigiu-se à caixa e trouxe duas notas de vinte e uma de dez, o que perfazia cinquenta euros, que de seguida deu ao homem do fato de treino. Este último perguntou ao dono se, porventura, não tinha uma nota de cinquenta. O proprietário respondeu que não. Percebi que aquelas moedas provinham da mendicidade e fiquei surpreendido com aquela pergunta, visto que se aquele homem pedia uma única nota não pretendia gastá-la, logicamente. Pensei para mim mesmo que a mendicidade dava muito dinheiro e que aquele homem era um parasita e que tinha enganado muita gente. Imediatamente depois pensei que aquele homem era infinitamente menos maldoso e menos perverso que muitos outros cidadãos que ocupavam cargos públicos e que desviavam dinheiros públicos para fins privados. Aquele homem tinha pedido, provavelmente exagerando e enganando as pessoas, mas tinha pedido. Enquanto aqueles outros Senhores, que juraram servir o resto dos cidadãos, retiravam dinheiro de todos para satisfazer necessidades privadas. Exemplos destes multiplicam-se de forma exponencial. Todos nós conhecemos casos, muitos casos destes. Por isso é que a política e os políticos estão completamente desacreditados.

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Tenho uma especial admiração pelos perdedores, os verdadeiros perdedores. Todos eles são injustamente perdedores, porque quando partiram tinham o sonho de vencer.

Heitor é o perdedor mais admirável que conheço. A sua façanha sempre me inspirou. Heitor é um simples mortal, um humano que para defender Tróia luta contra Aquiles, mas Aquiles é um deus. Antes da luta Heitor sabe que vai morrer e mesmo tendo consciencia deste facto não foge, enfrenta. Sabe que a morte é o seu futuro imediato e vai. Que inspirador!

Esta caminhada foi uma luta quase em solitório, quase quixotesca, quase silenciosa e absolutamente “naif” . Houve momentos de grande desânimo mas consegui chegar a Lisboa. Fiz esta viagem em prol de valores que considero fundamentais. Foi duro, foi terrível… mas consegui vencer, perdendo.

Ja posso morrer em paz… lutei incansavelmente, nos últimos tempos, pelos meus ideais.

Um abraço solidário para todos e que se cumpram os nossos melhores desejos brevemente!

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Enquanto esperava pela hora prevista (11 horas) para partir do Ministério de Educação e cumprir o percurso da última etapa, fui abordado por um grupo de turistas franceses. Perguntaram-me se se tratava de uma manifestação. Respondi que sim, que iria percorrer a distancia até à Residência Oficial do Primeiro Ministro e posteriormente até ao Parlamento com um cartaz de protesto e indignação pelo que tinha acontecido durante os últimos quatro anos.

Conheci então António Moreno, um sindicalista francês de origem espanhola. Estivemos a trocar impressões sobre o momento político e sindical. Curiosamente coincidimos na análise sobre o que está a acontecer nos nossos respectivos países. Trocámos os e-mails e telefones e certamente continuaremos em contacto.

Parti do Ministério da Educação às 11 horas e 12 minutos exactamente, cumprimentei, desejando bom dia, o guarda que se encontrava à porta do edifício ministerial. Não me respondeu. Prossegui avançando com passo firme. Percebi que apesar das pessoas repararem em mim, rapidamente retiravam o seu olhar da minha pessoa. Interpretei este facto da seguinte forma: deve ser bastante comum existirem manifestações nas ruas de Lisboa  e isso banaliza estas acções.

Quando cheguei à Residência Oficial do Primeiro Ministro atravessei caminhando lentamente a fachada do palacete. Havia um guarda que não me perdeu de vista. Posteriormente sentei-me num banco no jardim contíguo ao edifício oficial. Da minha mochila comecei a retirar os sapatos. O guarda aproximou-se de mim. Observou o que estava a fazer. Quase me apeteceu dizer-lhe que estivesse sereno porque eu era apenas um protestante e não um terrorista. Não o fiz. Ele notava-se nervoso. Acalmou quando viu os sapatos e retirou-se.

Podia ter dado os meus sapatos ao guarda mas isso seria absolutamente inútil porque este não se comprometeria. Havia uma câmara que registou a minha passagem e ela é testemunha que levei mais um par de sapatos para presentear o Primeiro Ministro. Para mim é suficiente. Expressei e manifestei explicitamente a minha opinião e o meu sentir. Isto é o que importa!

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Frente ao Paramento - Última paragem

Frente ao Paramento - Última paragem

 

 

 

 

 

 

 

 

Frente à Residência Oficial do P.M. - Penúltima paragem

Frente à Residência Oficial do P.M. - Penúltima paragem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sapatos para o P.M.

Sapatos para o P.M.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Depois de 15 etapas, depois de 346352 passos, depois de 242,5 Km aproximadamente, depois de dois pares de sapatos para entregar, cheguei a Lisboa (ao Parlamento), tendo assim concluído a minha viagem pelos valores da liberdade e da democracia. Provavelmente ninguém viu a minha mensagem, mesmo assim valeu a pena. Valeu mesmo a pena. Viva a Liberdade! Viva a Democracia! 
 
 
 

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Hoje concluirei a última etapa da minha viagem pela Liberdade e pela Democracia. Provavelmente não terá sido importante para ninguém. Provavelmente pouca gente saberá que a fiz, mas concretizei-a e foi muito importante para mim.

Hoje será um grande dia, espero!!!

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