Quando um aluno deixa de frequentar a escola, embora ainda não tenha concluído a sua escolaridade e a sua formação, está em situação de abandono escolar. Em Portugal 14% de jovens alunos encontram-se em abandono. É uma taxa bastante alta, apesar de ter vindo a decrescer na última década. Para combater esta cruel realidade surgiu há vinte anos atrás na Europa o projeto da 2nd Chance Schools, ou seja as Escolas da Segunda Oportunidade. Em Portugal existe a ESOM (Escola da Segunda Oportunidade de Matosinhos) que é a única escola que pertence a esta rede europeia. Em termos simples, diríamos que as escolas regulares portuguesas proporcionam aos seus alunos um currículo “pronto a vestir” (igual para todos), enquanto esta Escola da Segunda Oportunidade de Matosinhos dá a todos os seus alunos um currículo feito à medida (um fato especial e único para cada um deles). A utilização das artes em doses massivas nesta escola também a diferencia das outras em que as artes brilham pela sua ausência. Esta formula simples (que é complexa) dita a marca do êxito obtido com estes alunos que abandonaram a escola regular. Obviamente, esta experiência tão extraordinariamente bem sucedida deveria abrir os olhos aos nossos governantes. A escola regular não tem qualquer hipótese de fazer um ensino personalizado com trinta alunos por turma. Na escola regular todo tipo de arte e criatividade encontra-se moribunda ou é totalmente inexistente. Assim dificilmente formaremos pessoas… não é possível fazê-lo!
Seria muito pedir que se revertesse esse currículo monopolista do Português e da Matemática e se humanizasse a escola abrindo-a à arte e à criatividade? Provavelmente sim! É lamentável!
