A vida de um professor não é nada fácil nos tempos que correm. O desgaste da docência atingiu limites inimagináveis. Hoje é mesmo muito arriscado ser professor. Os riscos são de ordem física, psicológica e social, entre muitos outros. O professor, hoje, não tem tempo e anda sempre a correr. Cada vez é mais frequente o professor deslocar-se de uma para outra escola no mesmo dia. Tem de “migrar” por vários estabelecimentos de ensino da mesma unidade orgânica (os ditos “Megagrupamentos”) com horários muito apertados. É exigido aos professores que exerçam a docência como um verdadeiro sacerdócio, ou seja, que não tenham tempo para nada mais. Se os psicólogos e psiquiatras falassem certamente teriam muitas histórias de dor para contar. Dentro da mala do professor e entre as folhas dos livros vai algum sofrimento e, por vezes, muita desmotivação e desilusão. Esta escola está cada vez mais longe daquela com que sonhámos. E apesar de tudo isto, é de enaltecer a resiliência com que os professores cumprem todos os dias a sua missão de formar bem as próximas gerações. A qualidade da Escola Pública, reconhecida e testada internacionalmente, continua a existir graças ao bem-fazer dos nossos professores.
Socialmente desprestigiados, politicamente desvalorizados e incompreendidos, os professores continuam resistindo como podem a todas estas estocadas, até ao golpe de misericórdia… que esperemos não chegue!
Os nossos políticos de topo têm-se entretido a fazer demagogia com a educação. Estes políticos nunca compreenderam que, num tempo de incertezas absolutas, como aquele que vivemos, a possível salvação só a podemos encontrar na educação e na boa formação dos cidadãos do nosso país.
É o futuro que nos está a ser roubado (a todos) neste “deprimido” presente!
Para tentar reverter este drama e tornar visível os problemas e as preocupações dos docentes o SPRC irá realizar uma acção denominada “Há que ter pedalada”:
- Haverá uma concentração de docentes frente à Escola Secundária Dr. Mário Sacramento, no próximo sábado, dia 17 de Outubro, às 10 horas;
- Depois alguns professores do Conservatório tocarão uma melodia, como protesto, pelo que está a ocorrer;
- Finalmente, todos os que possam e disponham de bicicleta rumarão até à Escola Básica 2,3 de Aradas (unindo assim as duas escolas do mesmo agrupamento).
É fundamental que participes e tornes pública o teu sentir. Para isso basta estares presente!




