Quando via um daqueles indicadores de “Cuidado – piso escorregadio” imaginava sempre um terreno mais extenso do que aquele em que me encontrava. Conseguia ler naquele objeto “Cuidado – país escorregadio”.
Portugal é, de facto, um país escorregadio. Aqui todos estamos a escorregar vertiginosamente para a pobreza. Os nossos jovens licenciados escorregam para o estrangeiro. Os nossos velhos escorregam para a tristeza, a solidão e para a miséria. Os funcionários públicos escorregam para o desemprego e os trabalhadores em geral escorregam para a exploração. A nossa escola escorrega para a morte. O futuro escorrega para o desespero. A justiça (que era de todos) escorrega para os ricos. O governo escorrega para a insensibilidade, a imprudência e a desumanidade. Os partidos e os políticos escorregam para o descrédito total. As empresas do estado escorregam para o Brasil, Angola, China, etc. A nossa soberania escorrega para os de fora (Troika, Alemanha, etc., etc…). Ainda há alguma soberania que não tenha escorregado e que seja nossa? Os altos responsáveis deste país, a todos os níveis, escorregam para a irresponsabilidade e muitos (mais do que seria normal esperar) escorregam para a corrupção. Os impostos escorregam inevitavelmente para os buracos negros criados pela falência dos bancos (BPN, BPP, BES,… esperemos que não haja mais!) e para pagar os juros da dívida externa.
O interior escorrega para o litoral e o litoral escorrega para o mar.
Os portugueses, em geral, escorregam para o medo e para a descrença. Afundamo-nos escorregando para o abismo!
Só uma revolução que nos liberte da estupidez governativa e que trave este escorregar generalizado nos libertará do medo de existir!