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Archive for Outubro, 2014

O atual ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, era aquele que vinha como profeta salvador para implodir o ministério da Educação, para nossa desgraça, errou o alvo e implodiu a Escola Pública!

O primeiro-ministro, Passos Coelho, que deveria demitir este exterminador implacável diz: “… acertei quando o escolhi para ministro da Educação”. Imagino o que teria acontecido à Educação em Portugal se o primeiro-ministro não tivesse acertado!

A ex-ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que foi quem começou a árdua tarefa da destruição da Escola Pública, vem agora criticar o seu sucessor por seguir de forma sistemática e acelerada as suas pisadas.

O ex-secretário de estado da Educação, João Grancho, demitiu-se do seu cargo, não pelos erros grosseiros nos concursos dos professores mas sim por plágio.

O professor David Justino, mentor intelectual da aniquilação da Escola Pública, é agora o Presidente do Conselho Nacional da Educação.

Como se vê, tudo decorre com toda a normalidade!

E ninguém se indigna contra tanta normalidade!

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Desconfio que quando o ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, proferiu aquela sua célebre frase: [o português] “é o melhor povo do mundo”, não era um elogio aos cidadãos nacionais. Penso, muito francamente, que esta sua afirmação ia mais no sentido das palavras que escrevia Guerra Junqueiro, em 1886:”Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga (…) sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas (…)”

Suspeito que a nossa classe dirigente governa “o melhor povo do mundo” da forma como o governa, porque pensa que a caracterição de Guerra Junqueiro se mantém actual. Oxalá se engane! Cabe-nos a nós desfazer este equívoco!

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Ex.mo Sr. Ministro da Educação,

Neste preciso momento, uma dúvida assalta o meu pensamento: “A quem solicitar este meu requerimento?” Isto porque é sabido que o Sr. Ministro mantém-se no seu cargo, por enquanto, mas manter-se-á o suficiente para dar resposta à minha solicitação? Eis a questão! Bom, mas como ainda é quem tutela a pasta da educação, é a si que endereço esta petição.

Venho, por este meio, pedir a Vossa Excelência que se digne converter o meu salário em despesas de representação. Ouso dirigir-lhe este pedido, porque desta forma vejo facilitada a minha declaração de rendimentos perante a administração fiscal.

Devo dizer-lhe que levo uma vida pacata e austera e como sei que isso é do vosso agrado, aqui deixo este registo. Mais, basta-me, Sr. Ministro, que todos os dias me paguem as minhas frugais refeições (em nada comparáveis com as de Marinho e Pinto) e uma ou outra viagem de vez em quando. Desta forma, certamente serei mais feliz no futuro se comparado com o passado e com a actualidade, pois assim sendo serei dispensado de fazer o tradicional e penoso strip anual das minhas contas às finanças, o que implica sempre mostrar tudo e não esconder nada.

Sei que tem tido muitos problemas (estritamente matemáticos) quando tenta graduar os professores para os colocar correctamente nas escolas, o que tem provocado uma enorme quantidade de injustiças na classe docente por não conseguir fazer uma coisa tão simples (e pelos visto tão complicada para si!) como é a harmonização das escalas. Parece, Sr. Ministro, que quanto menor é a dimensão da “salsicha educativa” (e V. Excelência tem feito de tudo para que ela seja microscópica) maior é a dimensão dos problemas criados.

Bom, mas não se aflija, que o meu caso é elementar, nem sequer tem de usar uma fórmula matemática, é só uma questão de semântica (onde ultimamente o Sr. Ministro se revelou um verdadeiro mestre), ou seja, o que antes era denominado como salário (o meu) passa a ser designado, a partir de agora, despesas de representação.

Penso que é um pedido fácil de satisfazer! E se há vinte anos o então deputado, agora, Primeiro Ministro, Passos Coelho, pôde usar este expediente, penso que poderei usufruir do mesmo direito. Na Constituição Portuguesa está consagrado que todos os cidadãos gozam dos mesmos direitos e dos mesmos deveres (Principio da universalidade) e todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei (Principio da igualdade). E, já agora, lembro-lhe o conteúdo do artº 74: “Todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acessoe êxito escolar”. Para cumprimento deste preceito constitucional, o mínimo exigível é que todos os alunos deste país tenham professor! Permita-me perguntar-lhe: “esta Constituição ainda está em vigor?”

Se por qualquer motivo não puder deferir este meu requerimento, não precisa, Sr. Ministro, ir à Assembleia formalizar um pedido de desculpas. Já conheço os resultados das suas desculpas.

Talvez, Sr. Ministro, este meu pedido de reconversão de salário em despesas de representação seja a coisa mais anormal e caótica que ocorreu neste início de ano escolar que, como é público e notório, começou com “absoluta normalidade”.

 

Pede deferimento

António Morais

 

P.S: Peço-lhe, veementemente, que coteje o seu conceito de “normalidade” com aquele que aparece num bom dicionário de Língua Portuguesa.

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Eu acredito…

Assim como acredito que os bebés vêm de Paris, tal como acredito no abominável homem das neves e no Pai Natal, também acredito que o nosso Primeiro Ministro seja um ser absolutamente impoluto, acredito também que padeça de amnésia temporária e selectiva, acredito igualmente que ele não se lembre do que fazia há vinte anos, acredito que não se lembre que recebia 5000 euros por mês, acredito que não se recorde se essa quantia a recebia a titulo de salário ou a titulo de despesas de representação para pagar almoços, jantares, viagens, etc; acredito que ele não se lembre se era a Tecnoforma ou o Centro Português para a Cooperação (CPPC) quem lhe pagava, acredito até que, quando pediu o subsídio de reintegração por exclusividade como deputado, se tivesse esquecido que tinha outras fontes de rendimento.

Chego ao ponto de acreditar que nem sequer se lembre de que foi deputado naquela altura, acredito, obviamente, que não se lembre do que fez enquanto deputado, acredito inclusivamente que o nosso PM esteja a passar por uma crise de identidade e não saiba quem é, acredito, com certeza, que o Vice Primeiro Ministro, Paulo Portas, acredite em tudo o que diz o PM, acredito também que o Presidente da República acredite piamente em “todas verdades incontestáveis e para além de qualquer dúvida razoável” do PM.

Chego ao cúmulo de acreditar que o PM não está disposto a fazer strip bancário por mero e simples pudor.

Tenho também que dizer que eu sou um ser absolutamente crédulo, mas, apesar disso, não sou estúpido e acredito cegamente que os portugueses também o não são!

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Nas poucas páginas que escreveste e que li, acabei por matar algumas saudades das muitas que tenho da tua escrita. Li, com avidez e deleite, o teu livro inacabado Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas. 

Penso que, se fosses vivo, não deixarias publicar esta tua obra inacabada, por outro lado, para mim, foi a derradeira oportunidade para me deliciar com as tuas palavras. Agora, resta-me imaginar os caminhos narrativos que terias seguido para concluir esta história. As tuas personagens Artur Paz Semedo e Felícia continuarão a vagabundear pelos meandros do mundo literário e, certamente, ocuparão o meu pensamento…

Mais uma vez, obrigado, José; é sempre bom lembrar-te, Saramago!

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