Tendo em atenção o que aconteceu no parlamento na sexta-feira passada, talvez fosse sensato fazer um referendo à imbecilidade. O que se presenciou foi uma jogada absurdamente suja por parte da bancada do PSD, que fez aprovar um referendo à coadoção por parte de casais homossexuais. Eu não tenho nada contra referendos, inclusivamente seria o primeiro subscritor de uma consulta popular para promover a coadoção deste primeiro-ministro e do seu governo por parte de outras nações. E claro, obviamente, votaria para que os levassem.
É inacreditável que o primeiro-ministro diga que não tem nenhuma posição de consciência em relação ao tema e faça aplicar a disciplina de voto para aprovar o tal referendo. É inacreditável que perante o argumento de que o referendo implica um gasto suplementar, o primeiro-ministro tenha declarado: “Que a democracia não pode ser suspensa só porque estamos em tempos de crise” quando ele e os seus ministros têm apelado insistentemente ao tribunal constitucional para que suspenda a democracia nestes tempos de resgate externo.
Em matéria de referendo, sem menosprezar a importância deste que agora se anuncia, penso que haveria outros de importância igual ou superior, como por exemplo referendar os cortes nas pensões, os cortes nos salários, na educação, na saúde.
Quiçá devesse também o povo português ser chamado a decidir se os cortes que estão a ser feitos nos salários e nos benefícios sociais do estado, porventura não devessem ser substituídos por cortes nas PPPs, nos Swaps e nas fortunas absolutamente colossais que se amassaram à sombra da crise.
Todas estas decisões deveriam ser efetivamente referendadas, para que a democracia não seja suspensa, como está a acontecer, sr. Primeiro-ministro!.