Quando publiquei no YouTube um vídeo intitulado “Nova constituição low cost” pensei que provocasse algumas reações. Imaginei que, por várias razões, causaria polémica.
Em primeiro lugar pelo tema tratado: a alteração da Constituição Portuguesa. A constituição, para além de ser a nossa lei fundamental, é um símbolo nacional, e representa-nos a todos como povo e como nação. No vídeo está bem patente que a letra da nossa Constituição não mudou, como é óbvio, mas mudou o espírito da mesma por força das circunstâncias.
A tese que defendo neste vídeo é que na prática a Constituição foi alterada e com ela foram modificados os direitos dos cidadãos e o contrato social que existia entre os portugueses e o Estado.
A mão visível que se vê a reescrever a Constituição é a mão do nosso primeiro-ministro. Ele é o autor material desta alteração, mas ele é apenas a testa de ferro. Os autores intelectuais desta radical transformação são os poderosos interesses económicos estrangeiros e nacionais que se associaram para alterar o que devia ser inalterável, e destruir o que deveria ser indestrutível.
Tenho a convicção de que o nosso primeiro-ministro acredita mesmo que ao fazer esta enorme mutação está a cumprir uma missão patriótica. Por essa razão fiz acompanhar a reescrita dos artigos constitucionais mais basilares com o som das notas do nosso hino nacional. Ao utilizar este outro símbolo nacional pensei que também causaria alguma celeuma.
Como claramente se trata de uma alteração ideológica, imaginei que os livros inspiradores (se tais existissem) seriam os três que lá aparecem. São eles respetivamente: ”Leviatã” de Tomas Hobbes, “O príncipe” de Nicolas Maquiavel e “Mein Kampf” de Adolf Hitler. E por que estas obras? Os princípios da nossa democracia estão a ser aceleradamente adulterados e substituídos por mecanismos muito pouco democráticos, por isso pareceu-me adequado recorrer à obra de Hobbes, “Leviatã”, que contem uma teorização do absolutismo. Por outro lado, o convencimento generalizado de que a austeridade era o inevitável caminho a percorrer, pareceu-me uma das ardilosas artimanhas a que recorre o príncipe para convencer o povo da bondade dos seus interesses e da sua coincidência com o bem coletivo. Por isso acudi à obra “O Príncipe” de Maquiavel. Por último lembrei-me do livro da autoria de Adolf Hitler “Mein Kampf”, porque o ódio que nele se vertia pelos judeus tem algum paralelismo com o ódio que este governo sente pelos funcionários e pelos serviços públicos e ação social do estado. Por essa razão e (talvez) com algum exagero também inclui esta obra que aparece no vídeo parcialmente tapada.
Imaginei que tudo isto causaria alguma controvérsia! Enganei-me! Apesar de ser um vídeo muito amador, orgulho-me de o ter realizado para transmitir esta mensagem. Para mim era muito importante fazê-lo!