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Archive for Janeiro, 2014

Mário Pontes, tal como eu, era um ator amador de bairro, mas ao contrário de mim teve a sorte ou o azar de se ter cruzado no caminho do maior realizador português: Artur Ramadas. Um realizador maldito e proscrito pela sua obra e pelos seus filmes. Provavelmente nunca ouviu falar dele. Não se inquiete. Ele de facto não existia até há três anos atrás. Foi então que nasceu, produto da imaginação de um grupo de estudantes de mestrado de cinema da Universidade Católica do Porto. E foi assim que Mário Pontes fui eu e eu através dele protagonizei os filmes mais perversos e malditos deste realizador proibido. Alguns tão malditos que nem sequer aparecem neste documentário sobre o Artur!

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Perdedores

Quer perder dinheiro?

Quer perder dinheiro?

Hoje fui a uma livraria e comecei a deambular o olhar pelos títulos dos livros. Naquela sessão todos eram insinuantes, aguçavam o nosso apetite de ganância com estratégias vencedoras que nos lançam para o sonho. Anotei alguns desses títulos. “O que aprendi no caminho para o topo (História de um homem que chegou a número 1)”; “Ganhar em bolsa (Em tempos de crise, aposte na bolsa)”; “O seu primeiro milhão (Como poupar e fazer crescer o seu dinheiro)”; “Nadar com os tubarões sem ser comido vivo”; “Sonho grande (Como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira revolucionaram o capitalismo brasileiro e conquistaram o mundo)”; “O livro secreto das vendas (mapa mensal dos supercomerciais desvendado)”; “O livro da mudança (50 modelos para agir com estratégia)”; “Nada é grátis (Estratégias de lucro de um mundo novo)”; “O Príncipe (Novas formas de exercer o poder e o melhor meio de o conservar)”; “O monge e o executivo (Uma história sobre a essência da liderança)”; “Vencer nas redes sociais (Aprenda as lições dos líderes e reconstrua a sua carreira)”… As palavras mágicas que nos catapultam para a ilusão e o fantástico aparecem nos títulos destes livros: estratégia, liderança, vencer, lucro, ganhar, poder. Suponho que lá dentro, no miolo destas obras se contam os planos e os estratagemas para se alcançar mais dinheiro, mais poder e mais influência. Toda a gente anseia vencer, pretende ser rico, ser bem-sucedido, ser reconhecido. O mundo é uma imensa arena onde se luta sem tréguas para se ser o primeiro. Utilizam-se todos os ardis, derrubam-se obstáculos, deixa-se de viver para atingir esse almejado objetivo. Frequentemente os bem-sucedidos que alcançam esse sonho pagam um preço muito alto. No caminho para o topo apagaram a consciência, ludibriaram princípios e valores e mataram os escrúpulos que ainda ancoravam a sua movediça e fugidia humanidade. À sua volta semearam tristeza, desespero e obviamente produziram uma quantidade imensa de seres fracassados.

Sempre tive um fraquinho por perdedores. É trágico mas descobri nessa condição algo de poético. Enquanto o meu cérebro desfiava estes pensamentos e os meus olhos fixavam aqueles livros de receitas de vencedores instantâneos, lembrei-me daqueles previsíveis anúncios de jornais com aqueles previsíveis slogans: “Quer ganhar dinheiro?”  “Quer ser um vencedor?”, que normalmente induzem previsíveis reações de gulosa ganância nos leitores. Recordei-me também da enorme irritação que me produziam esses classificados e da experiência que fiz em dezembro de 2007. Naquela altura coloquei um anúncio no Diário de Aveiro na rubrica negócios:   “Quer perder dinheiro? Tenho óptimas opções para perder dinheiro! Contacte-me 933712536.”

Queria conhecer seres com inclinação natural para perdedores. Durante doze dias saiu este anúncio no jornal. Recebi dois telefonemas. A primeira pessoa que me contactou disse: “Ligo por causa do anúncio, é que tenho algum dinheiro para perder! “  “A sério?”  –  respondi. Nesse momento cortaram a comunicação. A segunda, e última pessoa, que me ligou era uma mulher e apenas me queria dar os parabéns pelo anúncio. Posto isto despediu-se.

Depois desta experiência concluí que ninguém tem verdadeira vocação para perder…  . O paradoxal é que todos nós somos, por natureza, perdedores! A vida é sempre a perder!

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Referendo à imbecilidade

Tendo em atenção o que aconteceu no parlamento na sexta-feira passada, talvez fosse sensato fazer um referendo à imbecilidade. O que se presenciou foi uma jogada absurdamente suja por parte da bancada do PSD, que fez aprovar um referendo à coadoção por parte de casais homossexuais. Eu não tenho nada contra referendos, inclusivamente seria o primeiro subscritor de uma consulta popular para promover a coadoção deste primeiro-ministro e do seu governo por parte de outras nações. E claro, obviamente, votaria para que os levassem.

É inacreditável que o primeiro-ministro diga que não tem nenhuma posição de consciência em relação ao tema e faça aplicar a disciplina de voto para aprovar o tal referendo. É inacreditável que perante o argumento de que o referendo implica um gasto suplementar, o primeiro-ministro tenha declarado: “Que a democracia não pode ser suspensa só porque estamos em tempos de crise” quando ele e os seus ministros têm apelado insistentemente ao tribunal constitucional para que suspenda a democracia nestes tempos de resgate externo.

Em matéria de referendo, sem menosprezar a importância deste que agora se anuncia, penso que haveria outros de importância igual ou superior, como por exemplo referendar os cortes nas pensões, os cortes nos salários, na educação, na saúde.

Quiçá devesse também o povo português ser chamado a decidir se os cortes que estão a ser feitos nos salários e nos benefícios sociais do estado, porventura não devessem ser substituídos por cortes nas PPPs, nos Swaps e nas fortunas absolutamente colossais que se amassaram à sombra da crise.

Todas estas decisões deveriam ser efetivamente referendadas, para que a democracia não seja suspensa, como está a acontecer, sr. Primeiro-ministro!.

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Livros inspiradores da "Nova Constituição Low Cost"

Livros inspiradores da “Nova Constituição low cost”

Quando publiquei no YouTube um vídeo intitulado “Nova constituição low cost” pensei que provocasse algumas reações. Imaginei que, por várias razões, causaria polémica.

Em primeiro lugar pelo tema tratado: a alteração da Constituição Portuguesa. A constituição, para além de ser a nossa lei fundamental, é um símbolo nacional, e representa-nos a todos como povo e como nação. No vídeo está bem patente que a letra da nossa Constituição não mudou, como é óbvio, mas mudou o espírito da mesma por força das circunstâncias.

A tese que defendo neste vídeo é que na prática a Constituição foi alterada e com ela foram modificados os direitos dos cidadãos e o contrato social que existia entre os portugueses e o Estado.

A mão visível que se vê a reescrever a Constituição é a mão do nosso primeiro-ministro. Ele é o autor material desta alteração, mas ele é apenas a testa de ferro. Os autores intelectuais desta radical transformação são os poderosos interesses económicos estrangeiros e nacionais que se associaram para alterar o que devia ser inalterável, e destruir o que deveria ser indestrutível.

Tenho a convicção de que o nosso primeiro-ministro acredita mesmo que ao fazer esta enorme mutação está a cumprir uma missão patriótica. Por essa razão fiz acompanhar a reescrita dos artigos constitucionais mais basilares com o som das notas do nosso hino nacional. Ao utilizar este outro símbolo nacional pensei que também causaria alguma celeuma.

Como claramente se trata de uma alteração ideológica, imaginei que os livros inspiradores (se tais existissem) seriam os três que lá aparecem. São eles respetivamente: ”Leviatã” de Tomas Hobbes, “O príncipe” de Nicolas Maquiavel e “Mein Kampf” de Adolf Hitler. E por que estas obras? Os princípios da nossa democracia estão a ser aceleradamente adulterados e substituídos por mecanismos muito pouco democráticos, por isso pareceu-me adequado recorrer à obra de Hobbes, “Leviatã”, que contem uma teorização do absolutismo. Por outro lado, o convencimento generalizado de que a austeridade era o inevitável caminho a percorrer, pareceu-me uma das ardilosas artimanhas a que recorre o príncipe para convencer o povo da bondade dos seus interesses e da sua coincidência com o bem coletivo. Por isso acudi à obra “O Príncipe” de Maquiavel. Por último lembrei-me do livro da autoria de Adolf Hitler “Mein Kampf”, porque o ódio que nele se vertia pelos judeus tem algum paralelismo com o ódio que este governo sente pelos funcionários e pelos serviços públicos e ação social do estado. Por essa razão e (talvez) com algum exagero também inclui esta obra que aparece no vídeo parcialmente tapada.

Imaginei que tudo isto causaria alguma controvérsia! Enganei-me! Apesar de ser um vídeo muito amador, orgulho-me de o ter realizado para transmitir esta mensagem. Para mim era muito importante fazê-lo!

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Convoquei o Doutor Angelicus mais conhecido como S. Tomás de Aquino para que nos falasse. Sei que isso seria cronologicamente impossível. Ele viveu no séc. XIII e nós estamos no séc. XXI. Ele certamente escreveria em latim e não em português, mas tendo em conta as obras que deixou escritas e o seu pensamento, imaginei o que aconteceria se ele visse tanta injustiça e tanta passividade da nossa parte.

Estou absolutamente convencido que ele apelaria à nossa combatividade e a uma resistência muito ativa. Foi isso que pensei e que tive a ousadia de concretizar neste vídeo!

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