“Os empréstimos em Portugal constituíam hoje uma das fontes de receita, tão regular, tão indispensável, tão sabida como o imposto. A única ocupação mesmo dos ministérios era esta – «cobrar o imposto e fazer o empréstimo». E assim se havia de continuar…
Carlos não entendia de finanças: mas parecia-lhe que, desse modo, o país ia alegremente para a «bancarrota».
– Num golpezinho muito seguro e muito a direito – disse o Cohen, sorrindo. – Ah, sobre isso, ninguém tem ilusões, meu caro senhor. Nem os próprios ministros da Fazenda!… A «bancarrota» é inevitável: é como quem faz uma soma…”
– Este tal Eça também está a fazer-me oposição?
– Não Senhor Primeiro Ministro, Eça de Queiroz escreveu este texto há mais de um século.
– E como é que ele sabia então que os nossos ministros das finanças agora só sabem pedir empréstimos e cobrar impostos?
– Ele descreveu o que acontecia na época dele.
– Então não estou a governar tão mal. Sigo a tradição…
– Tem razão Senhor Primeiro Ministro. Está a seguir uma longa tradição!
