Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Junho, 2013

Não tem qualquer importância um ministro de educação que apenas decide em função do dinheiro que pode poupar ou cortar no seu ministério, sendo, para tal, irrelevante os alunos, a sua formação e o seu futuro. Quando não são relevantes vinte mil alunos que não fizeram o seu exame de Português, o ministro torna-se irrelevante. Pode ser substituído, e até com vantagens, pelo ministro das finanças. Este seria o ministro das finanças e da educação e com toda a certeza que vinte mil (alunos) seria uma quantidade relevante para alguém que só trabalha com números.

Não tem qualquer importância um governo para quem é irrelevante dezoito por cento de desempregados, dos quais quarenta por cento são jovens. Quando estes portugueses não são relevantes, e os outros que se manda emigrar também não são importantes, torna-se este governo perfeitamente irrelevante. Pode mesmo ser substituído e até com enormes vantagens pelo governo alemão, que passaria a governar a Alemanha e Portugal. Assim pouparíamos a irrelevância de alguém que nos governa de acordo com as diretrizes que lhe vem desse país estrangeiro. Passaríamos a ser governados diretamente por quem realmente nos governa e sem a irrelevância deste deprimente governo intermediário submisso.

Anúncios

Read Full Post »

A pouco e pouco tem-se vindo a revelar o lado obscuro do nosso Primeiro-Ministro. Um homem que aparentava ser afável e dialogante no começo da legislatura, desvelou-se dois anos volvidos, dando a conhecer a sua verdadeira natureza arrogante, prepotente, dono da verdade e da lei. Pode ter sido apenas um lapso de língua ou “um ato falhado” mas as palavras textuais do nosso primeiro-ministro no parlamento na passada sexta-feira relembraram-me fantasmas assustadores do passado. Vejamos essas palavras: “Se a interpretação é de que a lei, de facto, não protege a estabilidade dos exames, não obriga à fixação de serviços mínimos, então eu assumo aqui publicamente o compromisso de que o Governo tomará a iniciativa de alterar a lei para impedir que todos os anos as famílias estejam sujeitas, e os estudantes, a estas alterações”. Para além da demagogia barata e do populismo fácil, há algo nestas palavras muito perturbador, soando nos meus ouvidos da seguinte forma: “Se os tribunais não me derem razão eu mudo a lei”. Isto é muito grave! É gravíssimo! Parece-me que estas palavras contêm em si um poder absolutamente discricionário. “Eu não me submeto à lei, mas a lei submete-se à minha vontade”. Antigamente só os reis e os tiranos é que exerciam assim o seu poder.

O regime democrático está propositadamente desenhado com poderes e contrapoderes e divisão de poderes num jogo de finos e ténues equilíbrios. Como numa balança, enquanto estes mecanismos se mantiverem em harmonia o regime democrático goza de boa saúde. Quando alguém tenta alterar essa estabilidade para desequilibrar a balança a seu favor, como está a ocorrer, resvalamos perigosamente para outro regime governativo. As declarações proferidas pelo PM conjugadas com outros sinais que temos vivido nas últimas semanas, como o desrespeito pela sentença do tribunal constitucional de pagar o subsídio de férias em junho, ou, querer a toda a força serviços mínimos quando o colégio arbitral pronunciou que no setor da Educação não há lugar a esses serviços mínimos, leva-me a concluir que estamos a viver uma mutação de regime.

Quando a lei não se cumpre deliberadamente, quando se alteram ou tentam alterar as leis segundo as nossas conveniências e o poder se exerce de forma discricionária, estamos a viver fora do jogo democrático.
Na Grécia Antiga a tirania era uma forma de governo alternativo à democracia, usada em situações excecionais nas quais o chefe governava com um poder ilimitado. Será que estamos a viver uma situação excecional e isso justifica uma governação à margem da lei?

Esta semelhança de realidades entre o que ocorria na Grécia Antiga e o Portugal atual não me parece apenas mera coincidência!!!

Read Full Post »

Dizem que as crianças são o futuro. É incontestável esta afirmação, mesmo quando é apenas retórica na boca dos nossos dirigentes políticos. O futuro que estas representam, prepara-se neste nosso presente com cuidado com carinho e com perseverança. Suponho que cada um dos pais e Encarregados de Educação deste país querem a melhor educação para os seus filhos. É óbvio!

O que também é óbvio é que aumentando o número de alunos por turma, fazendo mega agregações completamente irracionais, empobrecendo o currículo e aumentando o horário de trabalho dos professores, e despedindo milhares deles, diminuirá inevitavelmente a qualidade da educação.

A luta encetada pelos professores com a greve às avaliações, a manifestação em Lisboa no dia 15 e a greve no dia 17 de junho que coincide com o exame de Português é precisamente a forma que os professores encontraram para protestar de uma forma eficaz e chamar a atenção da população em geral.

As pessoas dirão que as greves prejudicam os alunos. Admito que causará transtornos, mas são apenas passageiros, porque nenhum aluno sairá efetivamente lesado. Numa leitura fácil e manipulada far-se-á crer que os professores querem prejudicar os seus alunos. Nada pode ser mais falso porque os professores zelam pelo bem e pelo futuro dos seus alunos.

Há uma questão que se mantém: Que futuro queremos? Todos obviamente responderão: “O melhor futuro”. Com as medidas que pretendem ser implementadas por este governo e por este Ministério da Educação, está na iminência de ser decretada a morte a esse futuro. Podemos ter outros futuros, mas não será certamente o melhor.
E assim iremos eternamente adiando os nossos melhores futuros para uma melhor ocasião. Não podemos permitir que esta situação continue assim.

Nós os professores somos os arquitetos do futuro e o último reduto de resistência à sua destruição. Essa é a nossa missão: resistir. É o nosso imperativo ético! E resistiremos!

Amanhã continuaremos a nossa luta e depois de reunirmo-nos pelas 8:15 na nossa Escola, iremos juntar-nos aos nossos colegas num “Cordão Humano” na Escola Secundária José Estêvão.

Read Full Post »