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Archive for Setembro, 2012

Que legitimidade?

As casas dos ex-ministros de Sócrates, Mário Lino e António Mendonça, e do ex-secretário de estado das Obras Públicas, Paulo Campos, foram objeto de buscas por parte da Polícia Judiciária.

Estas buscas prendem-se com a investigação que se está a realizar às Parcerias Público Privadas que foram lançadas nos governos anteriores, do Engenheiro Sócrates. Existem suspeitas que as tais PPP tenham causado grandes prejuízos ao Estado, ao erário público e consequentemente a todos nós. As concessões em algumas das obras do setor rodoviário, nomeadamente a autoestrada Norte Litoral, irão prolongar-se até ao ano de 2050. Note-se que essa obra será explorada por privados até daqui a quarenta anos, altura em que regressará à plena propriedade do Estado. Esta alienação de um bem público durante tanto tempo parece-me, sendo um leigo na matéria, uma ruína para todos nós.

Esta prática de realizar Parcerias Públicos Privadas proliferou e multiplicou-se exageradamente nos governos anteriores. Conclusão: hoje o Estado tem encargos económicos e financeiros pesadíssimos. E quem é o Estado? Somos todos nós. Somos nós que teremos que pagar estas faturas.

Eu sei que todos os ex-ministros e até o ex-primeiro ministro estão de consciência tranquila por tudo quanto fizeram. E também sei que neste país, mesmo quando se é culpado, há uma eterna presunção de inocência. Todos os governantes e ex-governantes são eternamente inocentes, por isso posso afirmar que depois de todas as buscas e investigações nada irá acontecer, como nada tem acontecido até agora.

Por favor tenham vergonha e um bocado de decoro e não venham dizer, à semelhança do ex-ministro Pedro Silva Pereira, que o Partido Socialista quer liderar a contestação política e social.
Se estamos como estamos, o PS e os ex-governantes têm uma enorme quota de responsabilidade nisso!

Não lavem assim as mãos tão facilmente porque os portugueses não são amnésicos!

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Indecências

Dirigir um país como o nosso que está na miséria não deve ser nada fácil. Mas a dificuldade aumenta de forma exponencial e proporcional à insensatez dos nossos governantes.

Há gestos que roçam a indecência. Podem parecer insignificantes mas adquirem uma importância transcendental.

É indecente o Primeiro-ministro ir a um concerto depois de anunciar o novo pacote de medidas de austeridade.

É indecente estarem atribuídos 31 carros do Estado ao Primeiro-ministro e ao seu gabinete.

É indecente o post colocado no Facebook por António Nogueira Leite: “Se em 2013 me obrigarem a trabalhar mais de 7 meses só para o Estado, palavra de honra que me piro”.

São estas notícias que incendeiam e revoltam o espírito do cidadão comum. Alguém que se encontre desempregado e a passar grandes dificuldades até para ter comida para o dia a dia não entende como é que são necessários tantos carros para o Primeiro-ministro e para o seu gabinete. Não entende como alguém se pira se o obrigarem a trabalhar mais de 7 meses para o Estado. Não entende como alguém que anuncia mais sofrimento para a generalidade vai depois calmamente disfrutar de um concerto.

Como é que se podem pedir mais sacrifícios aos portugueses quando esta elite que governa se comporta de forma tão insensata?

Os portugueses seriam capazes de sofrer e de aguentar toda esta austeridade e fazerem das tripas coração se vissem o recíproco nos seus dirigentes, mas infelizmente não é isso que veem.

Só há uma forma sábia de liderar e governar: pelo exemplo!

Que exemplos nos vêm de cima?

Assim não vamos lá!

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Coincidências

Folgo em saber que o humorista Ricardo Araújo Pereira teve uma ideia coincidente com a minha, fazendo uma mixórdia de temáticas intitulada “Encarcere-me contra a crise” que foi emitida no dia treze de setembro.

O Sr. Inácio Ribeiro (Ricardo Araújo) telefonou para o estabelecimento prisional de Bragança para saber se o podiam aceitar para passar uma temporada na prisão. Esta mixórdia está repleta de humor contando com a cumplicidade da rececionista e com o chefe da vigilância.

No final e já em jeito de reflexão Ricardo Araújo Pereira diz literalmente, com uma ironia mortífera: “Em termos de bem-estar e liberdade começa a ser ela por ela, estar dentro ou estar fora [da prisão].”

Recomendo vivamente a audição das mixórdias de temáticas em geral e esta muito em particular.

Apesar da temática tratada ser idêntica, “Um lugar para não viver”, a curta-metragem que realizei, tem um ambiente pesado e dramático, visto tratar-se de uma pessoa que desistiu de viver em liberdade e a única coisa que lhe resta é sobreviver dentro dos muros de uma cela.

A arte, de vários modos, vai alertando para os caminhos e rumos que a triste realidade portuguesa está a tomar.

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O esmagamento do povo

Quem insensatamente governou, desgovernando, favorecendo os amigos e deixando na miséria os portugueses, comprometendo o futuro deste país é inimigo deste povo.
http://www.youtube.com/watch_popup?v=tJj0H5C-uhc
Isto é um crime contra todos!

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Reaprender

Temos urgentemente que reaprender a fazer uma revolução. Há trinta e oito anos os militares fizeram a revolução dos cravos que nos trouxe todas as liberdades e garantias próprias de uma democracia. Formalmente agora todos os portugueses são elegíveis para cargos públicos. Formalmente podemos escolher livremente os nossos representantes. Formalmente os nossos representantes são pessoas sensatas, sábias e com um elevado espírito de serviço público. Formalmente agora todos os portugueses podem emitir livremente o seu pensamento e a sua opinião. Formalmente o Estado é uma pessoa de bem. Formalmente o Estado protege todos os seus cidadãos. Formalmente agora todos somos iguais perante a lei. Formalmente no presente vivemos numa democracia. É de fato demasiado formal e pouco real a nossa democracia.

E esta é a grande reclamação que tenho a apresentar à nossa democracia. Deveria haver garantias não apenas formais, mas sim reais do bom funcionamento do nosso regime democrático.

Os partidos formalmente são as instituições democráticas por excelência, nas quais se deveriam juntar os cidadãos mais altruístas e prudentes com elevado valor e excelso espírito de serviço público para construir as alternativas governativas mais justas para guiar o destino coletivo da nação. O que acontece realmente é que salvo honrosas exceções, transformaram-se no habitáculo e trampolim natural dos “boys”, maioritariamente medíocres, irresponsáveis e dramaticamente egoístas. Os “jobs” do estado são generalizadamente preenchidos pelas hordas oriundas das tribos partidárias.

Formalmente os deputados, representantes máximos do povo, são imunes a pressões e atuam de acordo com a sua consciência e apenas pelo superior interesse da nação. O que acontece realmente, salvo raras exceções, é que são muito permeáveis a influências externas, anulam as suas consciências e mexem-se apenas por interesses particulares e alheios ao bem comum.

Formalmente os governantes deveriam ser responsáveis pelas suas ações durante o tempo que governam. O que acontece realmente é que terminado o mandato da governação deixando a pátria na miséria e atada a contratos milionários por tempos intermináveis os políticos lavam daí as mãos e rumam para Paris com o intuito de estudar filosofia. Eles partem e vão ricos viver para outro país, o povo permanece em Portugal cada vez mais pobre tentando sobreviver. É este o tipo de responsabilidade dos nossos dirigentes máximos!

Formalmente os governados deveriam rever-se nos seus representantes e deveriam sentir-se bem representados. Na realidade o cidadão comum português já não confia em nenhum político.

A nossa democracia, que é tão formal e que está completamente manietada por maus gestores políticos, tem que se transformar por ação do povo numa democracia real e liberta de todas as ataduras a que tem estado sujeita.

Definitivamente, temos que voltar a aprender a fazer uma revolução!

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Por que é tão fácil fazer cortes na Educação? Porque ninguém ou quase ninguém se importa com isso.

Se não existir escola, ninguém morre fisicamente, “apenas” não se aprende o acerbo cultural acumulado que chegou até nós, permanece-se no estádio da ignorância. Todo o passado civilizacional e científico é deitado para o caixote do lixo. É “apenas” isso que ocorre! Esta é uma opção política, mas deve ser publicamente assumida. E é isto que não se faz!

Não se pode afirmar que a escola e a qualidade da mesma permanecerão intactas quando se subtraem a esta milhares de professores. Seria mais honesto e mais corajoso por parte dos nossos governantes dizerem aos portugueses que a educação é a última prioridade ou que nem sequer é uma prioridade. Será importante dar a conhecer o reverso da medalha, ou seja, que essa opção trará consequências muito negativas a médio e longo prazo. Poupam-se recursos financeiros no presente mas rouba-se literalmente o futuro a Portugal. Isso terá importância? Ser um povo sem futuro é bastante preocupante!

Por que razão estamos na situação em que nos encontramos? Porque coletivamente nunca valorizamos a educação, a formação, antes pelo contrário desprezámo-las. Isto é culpa de todos e cada um de nós! Os efeitos e as sequelas desta nossa atitude estão à vista de todos. Tornámo-nos num povo facilmente governável (no mau sentido da expressão), extraordinariamente manipulável e fatalmente domesticável. O sentido crítico em relação às decisões políticas que nos vinculam a todos estão ausentes do nosso quotidiano. O pedir responsabilidades e rigor na gestão do que é público e consequentemente de todos nós, nunca o efetivamos.

Durante décadas deixámos que gente medíocre e com interesses muito particulares nos governassem. É evidente que houve escassas e raríssimas exceções que há a realçar mas genericamente foi assim e, desta forma, hipotecamos o nosso futuro. Habituámo-nos a uma cultura de conformismo, passividade e do “deixar andar”.

Agora a proposta que vem de cima, e deixemo-nos de subterfúgios, é destruir e fechar a escola pública. E perante esta realidade nada irá acontecer como é habitual! Continuaremos então inexoravelmente a ser um povo governado pelo exterior. Desta forma não somos, nem nunca seremos, donos do nosso destino! O futuro assim nunca será nosso!!!

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A definição de cadáver remete-nos para o corpo de alguém que deixou de ter vida. Estar vivo tem um custo a nível energético! Somos seres corpóreos, temos um corpo. Esse corpo precisa de ser alimentado todos os dias. Esta é uma necessidade básica. Somos mamíferos quase sem pêlos e estamos num país que tem quatro estações, com oscilações térmicas acentuadas. A roupa é, por conseguinte, outra necessidade. Um sítio onde possamos descansar, repousar, dormir… pode ser uma barraca, uma cabana, um lugar, um espaço… é a terceira necessidade básica. Estar vivo acarreta custos! Um cadáver é incomensuravelmente mais barato.

O dever de um bom governo deveria ser manter em primeiro lugar vivos todos os portugueses, sem qualquer exceção. Isso significa que cada um dos portugueses precisa ganhar e receber um salário ou uma remuneração mínima que iguale pelo menos o custo de estar vivo.

Este governo está a esquecer essa sua primeira obrigação. Isto não é tolerável! A pobreza, a miséria e consequentemente a morte prematura estão a ser incrementadas pelo efeito das medidas que estão a ser tomadas.

Governar é dar o melhor para salvar cada um dos governados e não o contrário.

Aos cidadãos compete não se conformarem com este estado de coisas. Nós não devemos nem podemos assumir a condição de cadáveres. Os mortos não falam, não protestam. Os mortos deixaram de existir.

É absolutamente necessário reagir contra esta situação de injustiça gritante. É nosso dever mostrar o caminho aos nossos governantes e dizer-lhe claramente que governar um povo não é administrar um cemitério.

Aqui, neste país à beira mar plantado, devíamos caber todos como seres vivos e com dignidade.

Se assim não for estamos todos mortos!

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