Este governo começou por menorizar a importância da cultura a um nível formal eliminando o Ministério da Cultura e rebaixando-o a uma simples Secretaria de Estado da Cultura. Parece uma simples questão de nome, mas de facto não é. Trata-se de uma questão substancial. Este caso era o ponto de partida que marcaria o rumo deste governo. A linha orientadora estava assinalada. É fácil cortar na cultura! Parece algo dispensável, supérfluo, que não nos faz falta, mas esta visão é absolutamente redutora e traz consigo um empobrecimento no amago do país.
Lembro o que aconteceu em Inglaterra numa conjuntura económica idêntica ou talvez pior do que a situação atual.
“During the Second World War, Winston Churchill’s finance minister said Britain should cut arts funding to support the war effort. Churchill’s response: “Then what are we fighting for?”
Winston Churchil era por antonomasia um chefe de estado sábio com carisma que até pode assim exigir do seu povo e dos seus concidadãos: sangue suor e lágrimas. Os nossos dirigentes atuais encontram-se a anos luz deste tipo de líderes políticos e é por isso que insistem em medidas que aparentemente vão poupar muito dinheiro: a privatização da RTP1 e a eliminação pura e simples da RTP2. Isto, literalmente, parece-me vender a alma ao diabo.
Quando é que estes dirigentes políticos com escassíssima formação cultural e até académica vão entender que é precisamente a cultura que torna um povo forte e coeso?
E nós vamos calmamente aceitar que privatizem o serviço público de rádio e televisão?
Já agora privatizem tudo! Privatizem-nos também a nós! Qualquer dia não será necessário termos um governo do Estado porque o Estado também já não existe. Foi privatizado!