Poderia pensar-se nesta contemporaneidade em que nos coube viver que a mulher teria um lugar privilegiado ou pelo menos um tratamento equivalente ao do homem. Poderia pensar-se que todos os avanços civilizacionais e históricos teriam diluído e eliminado o lastro das injustiças e discriminações de género que pendem sobre a mulher. Isto seria o espectável numa humanidade que procurasse como fim último o bem coletivo.
A realidade diária nega-nos em permanência essa utopia que não deveria ser utópica.
A mulher continua a ser sobrecarregada com uma panóplia sem fim de funções e papéis sociais e como se não bastasse essa desproporcionalidade funcional, é preterida e discriminada sistematicamente em favor do homem.
O preconceito bíblico da mulher como símbolo de impureza, de pecado e de maldição permanece muito arraigado no nosso inconsciente.
A mulher que é condição sine qua non da perpetuação da espécie e da humanidade, como tal, paradoxalmente, continua a ser desvalorizada, secundarizada e menosprezada.
Às vezes…muitas vezes sinto vergonha pelo facto de pertencer a um género que discrimina, tortura, massacra, escraviza e maltrata de todas as formas possíveis o ser mais importante da nossa sociedade: a mulher!
Que este dia não seja apenas uma celebração simbólica, histórica e apenas anual, mas que mude realmente a nossa prática quotidiana de tal forma que tenda a eliminar a necessidade de existir um dia da mulher.
Um dia no ano para lembrar e o resto para esquecer equivale a legitimar a histórica injustiça contra as mulheres.
Archive for Março, 2012
Só um dia no ano?
Posted in JUSTIÇA on Março 9, 2012| 1 Comment »
A possibilidade de uma impossibilidade
Posted in REFLEXÕES on Março 1, 2012| Leave a Comment »
Sempre acreditei que a magia pode acontecer. O mágico, para mim, é aquilo que não é expectável que aconteça e que, apesar disso, acontece. A realidade sempre me pareceu pintada com cores de tonalidades muito cinzentas, com harmonias musicais muito desarmoniosas quase a raiar a estridência, com uma atmosfera inclinando-se irreversivelmente para a tristeza. A alegria, a beleza e o bem são miragens e como tal brilham pela sua ausência ou pela sua escassez nesta realidade.
Neste mundo desde sempre procurei o mágico, o impensável, o improvável, a impossibilidade, enfim… o milagre. O resto que se encontra absolutamente manietado pelas leis físicas, químicas, biológicas, sociais, económicas, políticas, filosóficas e teológicas pouca importância tem, porque é o que está predeterminado, é o que tem que ocorrer. Definitivamente procuro o outro, o que não tem que ser, o inesperado…
Sei que sou um louco, um inadaptado, um insubmisso, que não se enquadra neste real. Que não se conforma com este estado de coisas. E por tal razão farei as loucuras mais loucas para desviar o rumo “natural” das coisas.
O único que terá importância na minha vida será o desvio que conseguir realizar com o que não é possível alterar.
Procuro definitivamente concretizar a possibilidade dessa impossibilidade.
Juntar-me-ei com todo o gosto a todos os outros loucos deste mundo!!!