A “aldeia global” trouxe a coisificação das pessoas (do resto da humanidade). Aquela afirmação que refere que “todo o homem é meu irmão” tornou-se completamente falsa com a famosa globalização. Quando vivíamos em aldeias o nosso mundo era aquela povoação e a humanidade era aquele conjunto de pessoas que conviviam connosco quotidianamente.
Amar significa que a dor dos outros é a nossa dor e vice-versa. Quantas pessoas somos capazes de amar com este tipo de amor? Muito poucas sem dúvida! A nossa humanidade são apenas essas pessoas que amamos, o resto são seres que pertencem à mesma espécie e que quando sofrem e morrem por causa da má e assimétrica distribuição dos recursos, sentimos pena. Quer dizer que nos habituamos à sua morte e à sua má sorte. Essas pessoas passaram a ser coisas. Já não têm importância! Nunca a tiveram, provavelmente.
Há dias quando recebi a resposta de um político aos meus dez euros solidários, ele dizia-me que merecia aquele salário astronómico que ia receber e certamente tinha razão. Ele merecia, mas os milhares que recebem o salário mínimo nacional não mereciam receber um pouco mais? Esses milhares de pessoas não fazem parte da humanidade desse político, certamente. E é aqui neste ponto que está o busílis da questão.
Quando alguém diz “eu mereço” “eu tenho direito” sem ter em consideração os outros, está a excluir e a coisificar os outros, o resto da humanidade.
Eu só tenho direito na medida em que todos os outros também têm esse mesmo direito. Ninguém pode existir como uma ilha. Nós existimos porque os outros existem. Nós existimos em função dos outros. Nós somos também os outros.
Mundializamos os mercados, mundializamos a economia, mas não mundializamos a responsabilidade de todos perante todos. Assim nunca seremos uma humanidade, seremos apenas um conjunto de coisas com parecenças a seres humanos.
Transformar a nossa fragilidade em poder e criar uma rede de amor que ampare todas as pessoas é a utopia que não devia ser utopia!!!
Archive for Fevereiro, 2012
O poder da nossa fragilidade
Posted in REFLEXÕES on Fevereiro 21, 2012| Leave a Comment »
Retratos de um mundo paradoxal
Posted in REFLEXÕES on Fevereiro 20, 2012| Leave a Comment »
“O paradoxo entra no universo pela mão do homem”
Hoje controlamos o tempo e não temos tempo para nada. A nossa vida transformou-se num verdadeiro “contra-relógio” permanente. O nosso dia-a-dia é uma correria desenfreada. Uma rotina monótona e angustiante que se vai repetindo todos os dias, todas as semanas e todos os anos (durante uma vida inteira) sem que faça, a maior parte das vezes, sentido algum. Todos corremos e não sabemos bem para onde. E o mais curioso é que não corremos por nossa livre e espontânea vontade, corremos apenas porque vemos os outros correr. E neste lugar quem corre mais é quem tem mais sucesso. Justificamos esta nossa atitude irracional dizendo que o mundo corre velozmente e nós não podemos perdê-lo de vista, por isso temos que continuar a pedalar a um ritmo diabólico e desumano.
Construímos máquinas para tudo. Vivemos com elas e por elas. Prometeram-nos um mundo mais liberto de trabalhos e com mais tempo dedicado ao descanso e ao lazer. Verificamos que cada dia trabalhamos mais e que os ritmos de trabalho vão sempre em crescendo. Em vez dos nossos horários e tempos de trabalho se adequarem aos nossos biorritmos, acontece exactamente o contrário, forçamos os nossos ciclos naturais a adequarem-se ao nosso trabalho.
Vivemos na era comunicacional por excelência. Possuímos televisões, rádios, jornais, telefones, internet (tudo fantásticos meios para comunicar) e cada vez nos sentimos mais sós. Temos a vã ilusão da comunicação global e de chegar a qualquer lugar do planeta à velocidade da luz. Somos capazes de comunicar com um perfeito desconhecido na Austrália ou no Japão mas somos incapazes de comunicar com o vizinho do segundo esquerdo. Afinal é mesmo uma ilusão. A nossa solidão vai em aumento.
Nunca ao longo da história humana existiu uma época em que cada indivíduo dispusesse de tanta informação como na atualidade. Porém e apesar de todos estes rios de informação, continuamos a ser uma sociedade, desinformada, mal informada e facilmente manipulável.
Hoje conhecemos melhor do que em época alguma todas as fases do desenvolvimento humano. Hoje conhecemos melhor do que nunca a importância que tem para as crianças e jovens um bom acompanhamento familiar e social. O seu desenvolvimento harmonioso e equilibrado depende sobretudo da afetividade e do acompanhamento que recebem. Nunca as crianças e os adolescentes cresceram tão desacompanhados como hoje.
Possuímos a tecnologia agro-alimentar e agro-industrial necessária para que toda a humanidade se alimente adequadamente. Apesar disso, oitenta por cento da população mundial vive abaixo do limiar da pobreza. Diariamente vão morrendo centenas de milhares de pessoas de fome em todo o mundo. Como é possível? Mais, acontecem coisas absolutamente macabras, como por exemplo, quando as colheitas são muito abundantes, destrói-se parte delas para manter o preço do mercado.
Criámos, depois da segunda guerra mundial, as Nações Unidas, um organismo supra-nacional, com a missão de controlar e apaziguar os conflitos entre as nações. Nunca tivemos tantos conflitos e tão devastadores como na época contemporânea.
Escrevemos “uma carta universal dos direitos humanos”, consagrando nela todos os direitos fundamentais e inalienáveis de toda a pessoa humana. Nunca a violação desses direitos foi tão generalizada como na atualidade.
Hoje conhecemos muito bem os efeitos nocivos das ações humanas sobre a natureza. Sabemos dos desequilíbrios irreversíveis que provocamos na ecoesfera por uma sobre-utilização ou má utilização dos recursos naturais. E numa atitude suicída os governos continuam e persistem na destruição ambiental.
O caminho
Posted in REFLEXÕES on Fevereiro 20, 2012| Leave a Comment »
Discípulo: Então a vida é um eterno caminhar?
Mestre: Sem dúvida!
Discípulo: E onde nos leva este caminhar?
Mestre: Essa resposta ninguém a possui!
Discípulo: Qualquer caminho que eu percorra é bom?
Mestre: Se tu escolheste o caminho então podes ter a certeza de que para ti esse é o bom caminho, o caminho certo.
Discípulo: Não me podes ajudar a encontrar o meu caminho?
Mestre: Não, não posso. E ninguém pode! Desconfia sempre, meu filho, daqueles que te indicam o teu caminho, ou daqueles que te dão o caminho feito. Não sigas o caminho dos outros, ousa trilhar o teu próprio caminho.
Discípulo: Mas isso é muito difícil e muito doloroso, não é?
Mestre: É sem dúvida, mas só assim a tua vida fará sentido.
Discípulo: Como saberei que estou a desbravar o meu próprio caminho?
Mestre: O teu coração será o teu melhor guia. Ele dir-te-á se o rumo que tomaste é o certo…
Uma ponte sem passagem
Posted in POLÍTICA, REFLEXÕES on Fevereiro 3, 2012| Leave a Comment »
Às vezes o importante na vida não é fazer, mas sim ter a coragem de parar e não fazer!
As pontes costumam ser pontos de passagem que unem duas margens. Por definição as pontes unem, paradoxalmente esta ponte vai separar para sempre Aveiro do seu governo executivo. E é pena!
Confesso que pelos desenhos e maquetes que tenho visto, esta ponte irá distorcer de forma irreparável a paisagem do canal central que é o ex-libris de Aveiro. Será que o que esta ponte pedonal trás consigo equilibrará o que irá destruir? Para mim a resposta a esta questão parece-me perfeitamente óbvia: não! Os escassos benefícios não equilibram minimamente os seus malefícios!
E porquê não pensar noutra localização, como seja o canal das pirâmides? Poderia ser uma alternativa.
A filosofia ensina-nos a duvidar de tudo e a ter imensa cautela nas decisões que se tomam. Penso que com tantas reações contra esta ponte seria de elementar prudência parar e repensar.
Sei que o poder político está submetido sempre a enormes pressões e que alterar uma decisão desta natureza deve ser extremamente difícil. Mas o que deve pesar realmente na tomada de decisão de avançar para a construção desta ponte deve ser o supremo bem da cidade de Aveiro. Aveiro irá ganhar algo com esta ponte? Penso que ganhará muito pouco e perderá imenso.
Neste caso é absolutamente necessário parar para pensar! Parar é um ato de coragem!
Que aconteça o melhor para Aveiro, a nossa terra!