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Archive for Janeiro, 2012

Aveiro, 24 de Janeiro de 2012

Ex.mo Sr. Presidente da Republica Portuguesa,

É com imensa tristeza e consternação que verifico a penúria financeira pela qual tem passado e continua a passar. Peço-lhe humildemente desculpas por não me ter apercebido dessas dificuldades económicas.

A sociedade civil já se está a organizar num movimento sem precedentes com o objetivo de angariar fundos para que uma situação tão penosa como a que tem vivido não torne a repetir-se.

E incito-o professor Cavaco e Silva para que fale dos seus problemas, visto que se porventura não tivesse ousado fazê-lo os seus compatriotas não saberiam das suas evidentes dificuldades em levar a vida para a frente. Tem que fazer das tripas coração e desabafar mais vezes.

Não pode estar apenas numa atitude evangelizadora e missionária de ajuda permanente aos outros, tem que pensar em si Sr. Presidente, ajudar-se e deixar que os outros o ajudem.

Por minha parte envio-lhe já a minha modesta ajuda, dez euros solidários para que possa enfrentar as questões mais prementes.

Os meus sinceros e fervorosos desejos que esta fase critica pela que estão a passar as suas finanças pessoais desapareçam rapidamente.

Coragem e força Sr. Presidente
António Morais

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Carta a Eduardo Catroga

Aveiro, 24 de Janeiro de 2012

Ex.mo Sr. Eduardo Catroga,

Venho por este meio dar-lhe ânimos e força, visto ter sido nos últimos tempos tão injustamente atacado. Trata-se, naturalmente, de inveja!!!

E felicito-o porque tem sabido responder à letra, como deve ser. Aquela resposta de “quanto mais recebo melhor porque pago mais impostos” calou-os a todos.

Em que país civilizado se questiona sobre alguém que ganha 45.000 € mensais, mais uma reforma, mais… enfim… bom no total o equivalente ao que ganham 100 ou 110 portugueses por mês? É o que lhe digo, este é um país de invejosos.

Tudo isto é claramente “baixa política”. É evidente que se alguém ganha 45.000 € mensais, mesmo em tempo de crise, é porque o merece. E se alguém, a maioria de nós portugueses, ganha 500 ou 750 ou 1000 € por mês é porque não merecemos mais do que isso. O povo diz: “cada um tem o que merece neste mundo!” E o Sr. Eduardo não se aflija com os outros, o Sr. merece esse dinheirão!

Mas tudo isto pode mudar porque na sua feliz argumentação contra esta campanha indecente levantada contra si, acabou por dar a solução ao governo para esta crise. Repare que se todos os portugueses ganharem na ordem dos 40.000 € mensais, os impostos arrecadados pelo estado serão absolutamente fabulosos e darão para pagar a dívida, para equilibrar as finanças públicas e para tornar Portugal no motor da economia mundial. Vamos ver se o governo pega na sua deixa e resolve de uma vez por todas esta crise.

Assim sendo pela sua inteligência, perspicácia e racionalidade e porque vejo o alcance do seu pensamento envio-lhe os meus dez euros solidários para que consiga pagar ainda mais impostos.

Com os melhores cumprimentos
António Morais

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Que povo somos nós?

Um povo é um conjunto de pessoas que se sentem unidas por partilharem uma língua, símbolos, valores e idiossincrasias, que os distinguem de outros povos. Fernando Pessoa dizia : «a minha pátria é a língua portuguesa».
E hoje partilhamos uma pátria? Uma língua? Estamos unidos? Temos algum elo de ligação? Comungamos de um projeto comum? Portugal ainda é a nossa pátria? Os portugueses ainda são um povo? Desconfio seriamente!
Às vezes chego a pensar que a única coisa que nos une é o fato fortuito e casuístico de termos nascido neste pedacinho de terra.
Perante a crise económica e financeira que enfrentamos que é a cúspide de outras crises mais abrangentes e estruturais a resposta generalizada é a fuga.
Que ideal de pátria defendem os nossos governantes quando incentivam a que emigrem os seus governados?
Que noção de povo temos nós que aceitamos pacificamente que os nossos dirigentes políticos nos digam: “emigrem, que aqui vocês não cabem”?!
Que sentido de pertença e de justiça têm os empresários e acionistas dos grandes grupos económicos que deslocalizam as suas sedes sociais para se furtarem de pagar impostos no nosso país? Quem pagará esses impostos em falta? Serão pagos certamente pelos cidadãos anónimos que compram e geram riquezas a esses grupos. Que leis criaram os nossos legisladores que permitem esta “fuga” legal?
Historicamente outros povos ergueram-se literalmente das cinzas, mas nesses casos a estratégia foi a união e não a fuga!
Perante tudo quanto está a acontecer pergunto-me se nós constituímos verdadeiramente um povo, ou como dizia Unamuno, somos um “povo de suicidas”.
Será que os nossos brandos costumes explicam tudo?

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Este caminho dirige-nos diretamente ao abismo. Os governantes de todas as nações, não sendo cegos, sabem que entramos num beco sem saída. Este paradigma de distribuição de recursos e de bens esgotou-se. A grande maioria da população mundial vive mal ou muito mal e uma ínfima minoria vive bem ou muito bem. Como podem viver bem os que vivem bem? Não haverá qualquer responsabilidade dos que vivem bem perante os outros? Será a ordem natural das coisas? Será aceitável? Teremos de continuar a aceitar este estado de coisas?
A ganância tem sido o motor do funcionamento económico mundial que nos conduziu até aqui. É neste momento absolutamente imprescindível substituir este motor da humanidade. Teremos que comutar a ganância pela responsabilidade, pois todos somos responsáveis por todos.
Nós somos o estado, nós somos os mercados, nós somos os especuladores quando simplesmente depositamos o dinheiro num banco… Ninguém está livre de responsabilidade!
Cada ser humano dos sete mil milhões que existem na Terra atualmente é um tesouro absoluto. Esta é uma frase muito bela, mas não passa de retórica.
O nosso desígnio é dar o salto desta afirmação puramente oca para a concretização desta utópica realidade …, para isso basta que cada um de nós tenha consciência que é responsável.
Só essa responsabilidade absoluta nos tornará (verdadeiramente) humanos!!!

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