Aveiro, 19 de Setembro de 2011
Ex.mo Sr. Presidente do Governo Regional da Madeira,
Venho por este meio enviar-lhe o meu cheque solidário de dez euros para ajudar a cobrir o enorme buraco orçamental que produziu “em legítima defesa”. Esta pequena e simbólica quantia que lhe remeto voluntariamente acresce aquela porção de verba, essa sim muito mais significativa, que me tem vindo a retirar sem o meu consentimento na última década. Advirto-o desde já que é a minha última contribuição.
Expresso pública e veementemente a minha solidariedade completa para com o povo irmão madeirense. Lamento profundamente por razões óbvias que tenha sido governado ao longo de tanto tempo por Vossa Excelência.
Sei que a maior parte do povo madeirense compreende a gravidade dos seus actos e que talvez pela força da razão e dos votos o apeiem do poder mostrando a sua solidariedade com o resto dos portugueses.
A balela eternamente repetida por si sobre a conspiração nacional, internacional e universal contra a Madeira cada vez irá pegar menos. As pessoas podem até ter algum interesse em mantê-lo no poder mas não menospreze assim a inteligência das mesmas.
Gandi dizia com toda a razão algo parecido com isto “quando desespero penso que os governantes autoritários e maus não são eternos e a verdade não pode ser aprisionada debaixo de uma pedra”. Um dia eles têm um fim triste e a verdade consegue sobrepor-se à manipulação e à mentira iluminando tudo em volta. Não tenha dúvida que esse dia chegará e talvez esteja mais próximo daquilo que pensa.
Em relação à omnipresente chantagem que sistematicamente utiliza e subtilmente deixa pairar no ar sobre a hipotética independência da ilha da Madeira, lembro-lhe por um lado que para se ser independente é condição necessária ter total autonomia financeira e por outro que Vossa Excelência é responsável pelo sentimento crescente nos portugueses do continente que talvez seja melhor dar mesmo a independência à Madeira.
Tenha cuidado pois o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro! O feiticeiro precisa desesperadamente de gente que acredite nele. Quando já ninguém acredita nele deixa de existir o poder do feiticeiro!
Deixo-lhe uma última questão para meditar: “Acha ético construir o sucesso de alguns (e tenho a absoluta certeza que não é o sucesso de todos os madeirenses) sobre a ruína de todos os portugueses?
Com os meus formais cumprimentos
António Duarte Morais