A pergunta está mal formulada, não é o que fizemos, mas antes pelo contrário, foi o que não fizemos que nos faz merecedores disto.
Desde o primeiro PEC – Março de 2010 – até ao quarto PEC passou apenas um ano. Cada Plano de Estabilidade e Crescimento resolvia de forma definitiva as nossas contas públicas, dizia o nosso primeiro-ministro, e cada um deles era sempre o último, e quem dissesse o contrário era um catastrofista, um negativista. Os juros já se encontravam nos dois dígitos e sempre a subir, mas o país continuava muito bem e sem precisar de ajuda. O novo PEC (o quarto), que iria resolver tudo, foi deitado abaixo por uma oposição irresponsável. Perante tanta irresponsabilidade, perante tantas mentiras mantivemo-nos calados e quietos, nada fizemos.
O país foi censurado. Todos os programas de televisão que se atreviam a contar os factos e as acções incómodas para o governo rapidamente deixavam de ser emitidos. Lembro aqui o caso do Jornal Nacional, o caso do jornalista Mário Crespo, só para dar dois exemplos paradigmáticos. Este país foi sequestrado, sendo que a única informação que passava era o marketing governamental. E assim vivemos num país democrático com informação controlada. E perante isto que fizemos? Nada, calamos e continuamos a viver as nossas vidinhas como se fossemos livres. Apenas e só a liberdade de expressão estava condicionada e amordaçada, nada mais.
Um professor contou uma anedota sobre o nosso “amado líder” e foi demitido do lugar que ocupava. Aconteceu alguma coisa? Todos falamos nisso nas nossas conversas particulares e nos cafés, mas os cidadãos mais uma vez não tomaram nenhuma atitude. Era e é normal que quem fala mal do nosso excelso primeiro-ministro, mesmo sendo competente, seja destituído do seu cargo.
O deputado Ricardo Rodrigues furta dois gravadores a jornalistas, porque não lhe estava a agradar o rumo da entrevista. Atenção que o Doutor Ricardo Rodrigues não roubou, essa palavra aplica-se apenas ao povo, mas como ele é um deputado exemplar há que dizer que subtraiu delicadamente os dois gravadores. Não os devolveu nem pediu desculpa. E depois deste acto absolutamente “ético”, este deputado continuou serenamente na comissão de inquérito da PT/TVI. Ninguém protestou, ninguém fez nada. São estes alguns dos nossos representantes, são estes os exemplos a seguir. E tudo isto é aceite sem protesto nem indignação.
Não há nenhuma exaustividade no relato dos casos que mereceriam um levantamento popular, mas nada aconteceu, é tudo normal aqui nesta nossa terra, Portugal.
E são estes dedicados, responsáveis, éticos, honrados, nobres e verdadeiros homens que nos preparamos para reeleger.
A verdade (quase) absoluta é que nunca fizemos nada e por isso merecemos ISTO!
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