Há seis anos deixamos o diabo entrar. Achamos que ele nos iria salvar!
Temos sempre esperança que alguém nos consiga salvar! Somos portugueses!
Todos têm obrigação de nos salvar à excepção de nós próprios.
O diabo vinha vestido de pele de cordeiro!
E fez o que todos os diabos fazem: mentiu, roubou, falsificou, manipulou, seduziu, voltou a mentir, roubou mais uma vez, continuou a falsificar, prosseguiu na manipulação e insistiu com persistência na sedução.
Quem tentava descobrir a sua verdadeira natureza era sistematicamente esmagado, silenciado, censurado e calado. O diabo ornamentou-se com títulos académicos que em realidade não tinha. Todos os diabos aspiram a ser ou engenheiros ou doutores para exercerem o seu diabólico poder com maior legitimidade.
E assim o diabo tornou-se ainda mais diabo, aumentou o seu poder, a sua arrogância cresceu, a sua altivez e o seu egocentrismo deixaram de caber no seu próprio corpo.
Só ele é proprietário único e absoluto da verdade. Nunca erra e tudo quanto acontece de mal é culpa de todos os outros. Os outros sim são diabólicos, diabolicamente pintados por ele.
A sua imagem é sempre angelical adornada pelo melhor costureiro de New York. Uma legião de assessores, pagos a peso de ouro por todos os portugueses, zela para que a sua essência diabólica nunca transpareça.
E o diabo voltou a seduzir, enganando, corrompendo, manipulando, desta forma ardilosa conquistando novamente pelo voto popular, o poder.
O diabo regressava, por nossa vontade, à governação das nossas vidas.
Mas este diabo, vestido de grande estadista, não passava de um vendedor trapaceiro e aldrabão. Era e é, reconheçamo-lo, um excelente vendedor de ilusões e fantasias. A economia e as finanças definitivamente não eram a sua especialidade.
Utilizou todos os truques e mais algum da amplia panóplia de que dispõe todo diabo que se preze. E este diabo preza-se muito! Escondeu, camuflou, disfarçou, encapotou e ocultou as contas do estado, pintando-as sempre com cores mais alegres e coloridas que a negrura crua e nua a que tinham chegado.
As trevas que afugentavam toda e qualquer luz tinham alcançado tal dimensão e grandeza que mesmo para um diabo experimentado era difícil encobrir. Visto que a descoberta da careca do diabo estava próxima, era necessária uma manobra de diversão. E assim ensaia este diabo de forma maquiavélica e simples uma última artimanha: atira uma pedra, mas não esconde a mão, mostra-a ostensivamente, disfarçando-a e fazendo-a parecer a do pior inimigo.
O nosso diabo transformou-se então num encantador, cândido e triste cordeiro vitimizado pela malfeitoria (supostamente) praticada pelos odiosos, desapiedados e execráveis inimigos do nosso país que o querem arruinar removendo o angelical e salvador demónio.
E lá volta ele diabolicamente sedutor, repetindo a fórmula satânica do engano, da mentira, da promessa, da manipulação e da chantagem, tudo meticulosamente misturado e doseado para obter o benefício desejado: a vitória na próxima expressão de vontade popular.
Espero que o povo, dentro de poucas semanas, não grite fervorosamente: “Viva o nosso salvador, que pela terceira vez nos afastará do abismo e da escuridão”
A memória, desgraçadamente, não é um dos nossos pontos fortes. Acalento uma esperança com limites sobre o que aí vem. Apenas direi , parafraseando Sócrates, o grande filósofo grego e mártir da verdade: “Apenas sei que nada sei” sobre o nosso futuro.
Que o diabo não torne a repetir aqui o nosso inferno!