Posted in POLÍTICA on Janeiro 18, 2011|
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Onde já se viu um polícia ter o atrevimento de multar a mulher do Presidente da Câmara de Gondomar? A ousadia de autuar a esposa do Presidente da Liga? O arrojo de acoimar a consorte do Presidente da Junta Metropolitana do Porto? A afoiteza de culpar publicamente a patroa do Presidente do Metro do Porto? Tudo isto só porque tinha o seu carro estacionado em cima de uma passagem de peões? Mas em que país vivemos, meu Deus? Será que esse polícia que estava a cumprir a sua obrigação não sabe que antes dessa obrigação está o sagrado dever de verificar de quem é a viatura que está a autuar? Será que esse polícia se esqueceu que em Gondomar, assim como em outras povoações e regiões do território nacional, não se pode multar todos os prevaricadores? Alguns desses prevaricadores ou familiares foram eleitos para servirem humildemente as suas povoações. Esses têm imunidade, esses estão isentos de culpa, esses humildes servidores não podem ser multados! Oh desgraça de encontrar polícias como este que têm a audácia de pensar que todos somos iguais perante a lei! Mas onde vive este polícia? No país da fantasia? Na nação das fadas? Na terra do Nunca. Só nessas regiões é que a lei é soberana e é aplicada a todos os cidadãos. Em Portugal a lei só se aplica ao povo anónimo, “analfabeto”e “ignorante”, para as pessoas instruídas, inteligentes e importantes que desempenham funções para as quais foram democraticamente eleitos esta lei não deve aplicar-se. Aliás, penso eu que a mulher de um Presidente de Câmara deve ser equiparada a um Instituto Público e portanto deve ter em todas as ruas da sua cidade um lugar de estacionamento reservado com a respectiva placa azul sinalizadora que contemple os seguintes dizeres: Para sua Exª a Esposa do Presidente da Câmara. Por todas estas razões acho muito bem que o Senhor Major mova todos os processos Judiciais a esse insignificante polícia que estava a cumprir o seu dever e que não sabe qual é o seu lugar. Mais, que difamou o Excelso Major dizendo que este o tinha agredido e todos sabemos que o Major é um homem pacífico e não vê violência em lado nenhum, nem sequer viu o soco com que João Pinto obsequiou o árbitro na Coréia. Aliás, penso que João Pinto tem aqui uma excelente oportunidade para retribuir o favor. Também verifiquei que o Senhor Major é a magnanimidade em pessoa, pois já disse que não pretende que o agente em causa sofra qualquer processo disciplinar mas sim que seja “chamado à razão”. Que grandeza de alma! Que generosidade a deste servidor público! E viva o Major que é o maior!
P.S. Há uns anos atrás (7 de Agosto de 2002) publiquei esta carta aberta no Jornal Público sobre um acontecimento ocorrido então, que ilustrava de forma paradigmática o tipo de políticos que temos em Portugal. Torno a publicar, agora no meu blog, porque quase uma década depois o paradigma não parece ter mudado muito. Há excepções! É verdade, mas são tão escassas…
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