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Archive for Dezembro, 2010

Aveiro, 24 de Março de 2010

Ex.mo Secretário de Estado da Administração Pública, Gonçalo André Castilho dos Santos :
Escrevo para lhe manifestar a minha perplexidade perante o seguinte paradoxo: “Um trabalhador da função pública que ganhe pouco mais que o salário mínimo nacional e que necessite desesperadamente da actualização salarial para sobreviver ao custo da vida não tem qualquer razão para protestar, para além de estar a defender interesses particulares, enquanto o Sr. que é Secretário de Estado e que ganha 1o, 12 ou 15 vezes o salário mínimo nacional e não tem qualquer problema de subsistência individual, está a defender o interesse geral da nação e de todos os portugueses.”
Desculpe que me escandalize perante o vosso discurso que no fundo diz: “Os trabalhadores devem limitar-se a trabalhar, não é sua função pensar, falar ou protestar. A sua única missão deve ser trabalhar, trabalhar e trabalhar, se não conseguem viver com o salário que têm, devem calar-se ou morrer e, assim, o país estará bem”
Envio a V. Excelência 10 € para que os utilize da forma que lhe aprouver. Já que o Sr. tem razão quando zela pelo interesse nacional que defende este status quo, que distribui benefícios pelos administradores de empresas estatais que ganham milhões e retira diminutas actualizações a trabalhadores que delas necessitam para sobreviver, terá mais 10 € disponíveis para distribuir por esses administradores para que nada lhes falte.
Assim nós, classe trabalhadora e pobre, somos solidários com as mordomias da classe rica e abastada que dirige e governa este país! Aqui vão os nossos 10 € solidários!
Com os melhores cumprimentos
António Duarte Morais

P.S. Não recebi qualquer resposta a esta carta, para ser sincero nunca esperei nenhuma resposta. Não me devolveram o cheque. Não me apercebi que o tivessem descontado. Continuo perplexo!!!

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Aveiro, 24 de Março de 2010

Ex.mo Sr. Ministro das Finanças
Escrevo para lhe dizer que me sinto pessimamente com tudo o que se passa neste meu país.
É obsceno e indecente que existam salários absolutamente milionários nas nossas empresas públicas e, ainda por cima bónus proporcionais a esses salários.
É ainda mais indecente e mais obsceno quando centenas de milhares de portugueses vivem com o salário mínimo nacional, não tendo qualquer tipo de bónus e ainda por cima não tendo direito sequer a uma pequena actualização.
Pede-se a própria vida a centenas de milhares de portugueses, enquanto a um bom punhado de outros nem sequer os privilégios injustos dos quais usufruem se lhes retira. Isto constitui uma violentíssima agressão aos portugueses mais desfavorecidos e à consciência de todos os portugueses, inclusivamente a consciência daqueles que são privilegiados.
Assim envio-lhe 10 € para que os utilize em favor desses privilegiados que têm pouca consciência do sofrimento dos outros.
Tenham vergonha! Eu sinto vergonha de viver num país pautado por tanta injustiça! E o Sr. é responsável directo por perpetuar esta injustiça gritante!
Com os melhores cumprimentos
António Duarte Morais

P.S. Até à data actual não recebi resposta, nem devolução do cheque, também não me apercebi que tenha sido descontado. Ter-se-à perdido? Não! Certamente estará em algum caixote do lixo ou então em algum arquivo.

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Carta ao Primeiro-Ministro

Aveiro, 24 de Março de 2010

Exmo. Sr. Primeiro-Ministro José Sócrates:

Escrevo para lhe manifestar o meu mais veemente protesto pelas discrepâncias salariais entre os administradores das empresas estatais e os trabalhadores que recebem o salário mínimo nacional.
Acresce a toda esta situação, já de por si aberrantemente injusta, uma nova assimetria que aumenta exponencialmente a anterior injustiça elevando-a à categoria de monstruosa e completamente irracional. Refiro-me àqueles bónus adicionais que se anexarão aos salários super luxuosos e escandalosos desses administradores.
Sinto-me profundamente injustiçado e ofendido por estas práticas que parecem ser usuais e normais.
Como é possível que em tempos de crise se encolham as remunerações de todas as pessoas assalariadas com menores recursos financeiros e se mantenham todos os privilégios para a classe dos administradores e governantes deste país que deveriam, por inerência de cargo, possuir espírito de serviço público?
Onde está o espírito? Onde está o serviço público?
Sr. Primeiro-ministro junto com esta carta envio a V. Ex um cheque de 10€. Sirva ele para pagar parte desses bónus a esses administradores, ou então sirva ele para amenizar o impacto do corte do subsídio de Natal no seu salário, se tal vier a acontecer.
Não quero que com estes cortes remuneratórios V. Excelências sofram no vosso estilo de vida!!!

Com os melhores cumprimentos
António Duarte Morais”

Foi em Março que lhe dirigi esta missiva, a situação não era tão má como hoje. Só se falava então dos cortes aos políticos e eu solidário enviei-lhe um cheque para o ajudar.
O Gabinete do Primeiro Ministro devolveu-me o cheque pouco tempo depois.

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Ao longo deste ano portei-me muito bem. Tenho sido um cidadão solidário. Uma das minhas boas acções foi a de enviar cartas aos nossos ilustres representantes e governantes com mensagens de apoio à dedicação e empenhamento que demonstraram. Esse empenhamento e desvelo nem sempre é dirigido à causa pública. Assiduamente o alvo deste desvelo é mais o interesse privado e particular.
É então que me solidarizo com esses seres humanos que mostram o seu egoísmo e sua mesquinhez no estado mais puro. É então que lhes escrevo oferecendo-lhes não só o meu apoio, como inclusivamente ajuda material. São essas cartas que irei publicar doravante e as respostas que tenho recebido. Já lhes enviei sapatos, agora apenas lhes remeto boas palavras e cheques. São as minhas prendas… pedagógicas!

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